“A ULS do Nordeste sofreu nos últimos anos uma profunda mudança estrutural”

A ULS do Nordeste tornou-se a primeira do interior e da zona de fronteira a garantir médico de família a todos os utentes. Em entrevista, Filipa Faria, diretora clínica para os cuidados de saúde primários da ULS, explica como foi possível alcançar o grande desejo de dar médico a toda a população, quando em 2023 não havia uma única unidade de saúde familiar na região.

“A prescrição cultural reconhece os determinantes sociais de saúde e permite complementar o modelo biomédico”

Sofia Bodas de Carvalho é médica de família e artista e, em entrevista, aborda a importância de se avançar com projetos de Prescrição Cultural. A redução dos sintomas de ansiedade e depressão, a diminuição do stress e da sensação de solidão são alguns dos benefícios deste tipo de abordagem.

  • “A MGF começou a deixar de ser atrativa, porque não há um plano nacional de cuidados de saúde primários”

“A MGF começou a deixar de ser atrativa, porque não há um plano nacional de cuidados de saúde primários”

Rui Cernadas, especialista em MGF e ex-presidente da ARS Norte, lembra os primeiros tempos como médico no Serviço Militar Obrigatório, mas foca-se também no presente e no futuro da Medicina Geral e Familiar em Portugal. Entusiasmado com o maior número de doutorados, não deixa de sentir apreensão o rumo – ou falta do mesmo – no Serviço Nacional de Saúde, tendo em conta que as ULS “mataram” a reforma dos cuidados de saúde primários.

“Os médicos de família querem colaborar na definição das políticas de saúde que visam a sua satisfação e a melhoria dos cuidados à população”

“Acesso Universal e Equitativo”, “Fuga Zero e Valorização da MGF” e “Governação Eficaz” são os três eixos principais de um documento de médicos de família apresentado à Ministra da Saúde, no final de maio. Paula Broeiro, Presidente do Colégio da Especialidade de Medicina Geral e Familiar da Ordem dos Médicos, explica as medidas principais que têm como objetivo valorizar o papel da MGF e, por conseguinte, melhorar os cuidados prestados à população.

Infeções sexualmente transmissíveis. “Temos de aumentar a acessibilidade ao rastreio em consultas e de forma anónima e confidencial”

De acordo com o estudo português “Perceção da população portuguesa sobre as infeções sexualmente transmissíveis”, apresentado no ID Symposium 2026, 45% dos portugueses não realizam exames de rastreio e 59% têm vergonha de os fazer. Para Rita Maciel Barbosa, assistente Graduada em Medicina Geral e Familiar e coordenadora do Centro Integrado de Saúde Sexual do Porto, é preciso falar mais do assunto e desmistificar ideias como sexo oral é mais seguro mesmo sem preservativo.

“Mais do que uma profissão, a Medicina tornou-se para mim uma forma de viver com propósito, através do cuidado, proximidade e serviço aos outros”

Joana Castelhano, médica de família na USF Travessa da Saúde – ULS São José, começou por querer ir para a NASA, mas descobriu que é na Medicina Geral e Familiar (MGF) que é feliz. Desde a adolescência sempre se empenhou em projetos humanitários, de voluntariado, para dar resposta a populações muito vulneráveis. A exercer Medicina em Camarate, no mês do Médico de Família, conta-nos os desafios que tem enfrentado numa freguesia onde há vários problemas sociais graves, como violência doméstica e até fome. No final, deixa um apelo aos mais novos: não deixem que a pressão assistencial e os indicadores vos afastem da visão holística e humanitária, tão próprias da MGF.

“É frustrante ver que não há uma verdadeira articulação entre a MGF e as especialidades hospitalares”

Luiz Miguel Santiago é o Médico de Família ao Longo da Vida, em ex-aqueo, com José Mendes Nunes. Além da atividade clínica em MGF, conseguiu enveredar por outros caminhos, nomeadamente pela Farmacologia e pela Ética. Em entrevista, fala sobre o Serviço Médico à Periferia, que o levou a optar pela Clínica Geral e dá a sua opinião sobre a articulação (ou falta dela) nas unidades locais de saúde.

“Gosto muito de MGF e da prática clínica, mas acredito que esta deva ter por base a melhor evidência científica”

Bruno Heleno foi eleito Médico de Família do Ano na Gala MGFamiliar. Em entrevista, fala sobre uma carreira em MGF, que conjuga prática clínica com ensino e investigação. Apesar do seu percurso, compreende que nem todos os clínicos tenham de seguir as mesmas pegadas. O seu maior desejo é que os médicos de família que queiram fazer investigação tenham tempo e recursos para pôr esse objetivo em prática.

“Um dos maiores problemas ‘silenciosos’ dos resultados em Saúde é a falta de adesão ao tratamento”

Hoje assinala-se o Dia Mundial da Adesão. João Ramos, médico de Medicina Geral e Familiar e coordenador da USF Carnide Quer - ULS Santa Maria, alerta para o problema ‘silencioso’ da não adesão à medicação que acontece, sobretudo, em doenças crónicas assintomáticas.

Investigação nos CSP. “Há vários níveis de barreiras. Eu diria que a primordial é o facto de nós próprios não darmos muito valor”

Paulo Nicola, um dos coordenadores do Departamento de Investigação da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), aborda as dificuldades sentidas no terreno quando se trata de investigar em cuidados primários. Mas também desmistifica a ideia de que há poucas possibilidades em se conseguir avançar com um projeto de qualidade. Na entrevista, fala ainda do policy-brief, dos PBRN e dos centros académicos.

Go to Top