13 Mai, 2026

Esquizofrenia. Antipsicótico injetável de longa ação permite alta hospitalar em apenas 8 dias

Num estudo de vida real, RESHAPE, ficou demonstrado que a Risperidona ISM permite melhorias significativas em apenas uma semana em doentes com esquizofrenia internados por causa de uma recaída. Ciro Oliveira, psiquiatra e coordenador da Equipa Comunitária de Saúde Mental da ULS São José, realça as mais-valias do tratamento.

Esquizofrenia. Antipsicótico injetável de longa ação permite alta hospitalar em apenas 8 dias

A esquizofrenia afeta entre 0,5-1% de pessoas no mundo e ainda continua a ser alvo de estigma. Atualmente, há uma nova fórmula de longa ação do antipsicótico Risperidona, que demonstrou eficácia, boa tolerabilidade e segurança no estudo de vida real RESHAPE. A investigação envolveu 275 doentes, provenientes de 76 hospitais de cinco países europeus – incluindo Portugal. “O tratamento com Risperidona ISM demonstrou que doentes com esquizofrenia, e que haviam tido uma recaída, tiveram alta hospitalar numa média de 8 dias, após o início da terapêutica”, sublinha Ciro Oliveira. O psiquiatra destaca o controlo rápido dos sintomas e as mais-valias da nova formulação de Risperidona que, após dois meses, continuava a fazer a diferença na vida dos doentes, com melhorias visíveis em termos de autocuidado e de organização de atividades básicas.

Como especifica: “Desde a primeira avaliação, realizada aos 8 dias, foi observada uma melhoria clinicamente significativa dos sintomas na escala Clinical Global Impression–Severity (CGI-S) e na Positive and Negative Syndrome Scale (PANSS-6), confirmando os resultados do ensaio clínico PRISMA-3, que sustentou a sua autorização de introdução no mercado.”
“Nos casos mais graves (classificados entre “marcadamente” e “extremamente” doentes na escala CGI-S), que representavam mais de metade da amostra, também se verificaram melhorias logo na primeira dose. Registou-se ainda uma recuperação funcional significativa (avaliada através da escala Personal and Social Performance [PSP]) aos 28 dias após a primeira injeção, melhoria que se continuou a observar ao longo dos 2 meses de seguimento”.

Outro dado que salienta, pela sua importância, é o bom perfil de segurança, já que apenas 4% dos doentes abandonaram o estudo por causa de efeitos adversos. Acresce ainda a satisfação elevada com o medicamento (78% para doentes e cerca de 90% para médicos), o que tem impacto na aliança terapêutica.

Ciro Oliveira afirma que se trata de uma boa opção em monoterapia, já que o estudo demonstrou não haver eficácia adicional com a associação a outros antipsicóticos. “Em doentes com esquizofrenia, a monoterapia é sempre preferível por facilitar a adesão à terapêutica e porque reduz o potencial de ter efeitos adversos.”

Face às mais-valias, o psiquiatra defende que o injetável deve estar disponível em todos os hospitais. “Ainda há unidades sem parecer positivo por parte da Comissão de Farmácia e Terapêutica, o que impede alguns doentes de terem acesso à Risperidona ISM no Serviço Nacional de Saúde, de forma gratuita.”

Como acrescenta: “Não há qualquer critério científico para não esteja disponível, tendo em conta que a terapêutica foi aprovada pela Agência Europeia do Medicamento e pelo Infarmed, além de já estar disponível em quase todos os hospitais portugueses do SNS.” Atualmente, quem não tem acesso ao medicamento no hospital, pode adquiri-lo, via prescrição médica, nas farmácias comunitárias, mas não será gratuito.

SO

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