25 Out, 2021

SNS. Aumento de médicos especialistas não é suficiente, alerta a Ordem

Em 2020, os médicos especialistas ultrapassaram os 20 mil. Mas são precisos muitos mais para garantir as necessidades do SNS, diz a Ordem dos Médicos.

De acordo com os dados da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), durante a pandemia de covid-19 o número de médicos especialistas ultrapassou a barreira dos 20 mil. No entanto, a chegada de mais 614 especialistas não é suficiente para combater as necessidades, alertam os responsáveis da Ordem dos Médicos (OM) ao Público.

Segundo revelam os dados que indicam que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) nunca teve um número tão alto de especialistas, as especialidades que mais cresceram foram a medicina interna e a medicina geral e familiar. De seguida, a anestesiologia, a cardiologia e a pediatria também foram as que registaram um maior aumento no número de novos especialistas.

No entanto, em várias especialidades, a entrada de recém-especialistas não foi suficiente para compensar as saídas para o privado, a emigração e aposentação. Em 2020, por exemplo, a cardiologia pediátrica ficou com o mesmo número de especialistas do ano anterior (43). No mesmo período, a dermatovenereologia passou a contar com apenas mais três (147) e o mesmo se verificou nas especialidades de neurocirurgia (138) e de oftalmologia (422).

Deste modo, também existiram várias especialidades – as quais ficam sempre com muitas vagas por preencher – onde o número de vagas até diminuiu em 2020 face aos números de 2019, como a urologia e a cirurgia cardiotorácica (menos três e menos dois, respetivamente).

O presidente do colégio da especialidade da ginecologia/obstetrícia na Ordem dos Médicos (OM), João Bernardes, – a qual só contou com mais oito especialistas em 2020 – alerta que este “pequeno aumento não chega para cobrir as carências absolutas e, pior ainda, as carências relativas”, sobretudo “em termos de disponibilidade para o serviço de urgência, por se continuar a verificar um aumento acentuado do número de especialistas com mais de 55 anos” que estão dispensados da tarefa.

Segundo lamenta, o número de internos (especialistas em formação) “é muito superior ao número de vagas ocupadas, o que quer dizer que muitos jovens especialistas (cerca de 30%) optam por ficar fora do SNS”. “Fica claro que o problema não está no número de vagas de internato, como não está no número de médicos formados pelas faculdades de medicina”, reforça.

SO

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