Confinamento torna os doentes ainda mais vulneráveis

“Não é por andarem menos na rua que os doentes com osteoporose deixam de fraturar”. As reumatologistas Helena Canhão e Ana Rodrigues consideram que o atual contexto de pandemia “está a piorar a condição das pessoas com osteoporose”.

Nos últimos dois meses, a generalidade dos portugueses e sobretudo os mais velhos, têm feito uma vida ainda mais sedentária do que habitualmente. Estão menos no exterior, fazem menos exercício físico e a exposição ao sol é menor, bem como a produção de vitamina D.

Todos estes fatores são extremamente preocupantes para a Prof.ª Doutora Helena Canhão, presidente eleita da Sociedade Portuguesa de Reumatologia (SPR). “O sedentarismo associa-se não só a perda de massa óssea mas também muscular, o que pode agravar a osteoporose, aumentar a probabilidade de perda de equilíbrio e de queda”.

Acresce ainda o facto de as pessoas não terem ou não comparecerem nas consultas e o risco de ficarem sem medicamentos. “Poderíamos até pensar que, como estão em casa, caem menos, mas sabemos que, no caso das osteoporose fraturárias, a maior parte dos doentes faz as fraturas em casa”.

A especialista saúda as iniciativas, nomeadamente de juntas de freguesias e de outras instituições, que têm tentado, através de meios online, promover o exercício físico dentro de casa mas “por vezes, as pessoas que mais precisam são aquelas que menos acesso têm a tecnologias digitais”.

 

Profª. Doutora Ana Rodrigues

 

O isolamento e a ausência de apoio dos familiares à população sénior, “faz com que se agrave a qualidade da alimentação”, alerta a Prof.ª Doutora Ana Rodrigues, responsável do Grupo de Trabalho de Doenças Ósseas Metabólicas da SPR. “Muitas vezes, na tentativa de proteger as pessoas mais velhas, esquecemo-nos de assegurar esta variabilidade alimentar. Os idosos começam a comer menos frescos, menos legumes e menos peixe. Nesta fase de confinamento, assegurar uma alimentação rica e variada, equilibrada, mesmo que a baixo custo, implica idas frequentes ao supermercado e nós estamos a dizer aos idosos para ficarem em casa”.

Por outro lado, “o confinamento traz alterações da saúde mental para todos, e em particular para os idosos e, com isso, excesso e abuso de antidepressivos e benzodiazepinas que, só por si, aumenta muito o risco de quedas”.

As especialistas alertam que um dos grandes problemas da osteoporose é a população não saber em que consiste ou que as fraturas de fragilidade são a sua principal consequência.

Na Sociedade Portuguesa de Reumatologia “sentimos uma obrigação de melhorar o cuidado e a prestação de serviços às pessoas que já fizeram uma fratura, na tentativa de impulsionar a prevenção secundária”, acrescenta a Prof.ª Doutora Ana Rodrigues.

No âmbito da SPR, que como a Prof.ª Doutora Helena Canhão sublinha, enquanto sociedade científica visa “aumentar o conhecimento acerca das doenças reumáticas, informar a população e também os médicos das várias especialidades”,  está a ser criada uma “Rede de Referenciação de Fraturas”, que visa proporcionar às pessoas que sofrem uma fratura, o acesso rápido a cuidados médicos, orientação clínica e prevenção secundária eficaz.

Esta iniciativa, segundo a Prof.ª Doutora Ana Rodrigues, “pode trazer uma grande melhoria e uma redução significativa de fraturas em Portugal e portanto, uma melhoria da qualidade de vida para os portugueses, sobretudo para os mais idosos, que nesta fase estão muito vulneráveis”.

AO/SO

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