21 Dez, 2020

Cartas microbiológicas fundamentais na escolha da antibioterapia empírica

A especialista em Patologia Clínica da Unidade Local de Saúde de Matosinhos fala do papel deste documento no conhecimento do ambiente microbiano, das resistências existentes e no apoio à decisão clínica.

Cartas microbiológicas fundamentais na escolha da antibioterapia empírica

O que são cartas microbiológicas hospitalares e de comunidade e para que servem?

Estas cartas permitem conhecer os agentes mais frequentes e o seu comportamento perante os antimicrobianos e são muito importantes para a escolha da antibioterapia empírica.

E qual o papel do microbiologista nos programas de uso apropriado de antimicrobianos?

Em primeiro lugar, o microbiologista deve elaborar estas cartas microbiológicas hospitalares e da comunidade.

Em segundo lugar, o microbiologista deve promover o antibiograma seletivo, relatando só nos seus laboratórios microbiológicos os antibióticos de primeira linha e as resistências observadas.

 

 

Em terceiro lugar, o microbiologista deve selecionar um conjunto de métodos de diagnóstico rápido, que permitam a identificação das bactérias, a deteção de mecanismos de resistência e também de diagnóstico de infeções víricas no sentido de evitar o uso excessivo de antibióticos

Por último, deverá promover uma boa comunicação com a clínica. Pode ser presencial, e as reuniões presenciais devem ser utilizadas sobretudo para os cuidados intensivos e intermédios, ou através de um telemóvel da instituição em que poderá esclarecer em todo o momento qualquer dúvida e mesmo através do processo clínico eletrónico, utilizando o diário para colocar a informação clínica relevante e até sugerir o ajuste da antibioterapia quando ela é desadequada.

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As cartas microbiológicas hospitalares e da comunidade são importantes num cenário em que a necessidade de controlo das resistências aos antimicrobianos é reconhecida internacionalmente.

Em 2016 e 2017, o ECDC coordenou dois estudos a nível europeu em hospitais de agudos e em unidades de cuidados continuados, respetivamente, onde se analisou o uso de antimicrobianos – principalmente antibióticos – nessas unidades. Esses fármacos são frequentemente usados em hospitais e unidades de cuidados continuados para o tratamento ou a prevenção de infeções, muito embora, em alguns casos, o uso de antimicrobianos pode ser desnecessário, o que contribui para o aparecimento e propagação das resistências aos antimicrobianos.

Estes estudos concluíram que 1/3 dos doentes receberam, pelo menos, um antimicrobiano durante o internamento hospitalar e apuraram que os antimicrobianos são por vezes administrados aos doentes para evitar infeções relacionadas com os procedimentos cirúrgicos. Nesses casos, uma em cada duas prescrições de profilaxia cirúrgica prolongaram-se por mais de um dia, sendo que a profilaxia cirúrgica prolongada representa uma fonte significativa de utilização desnecessária de antimicrobianos em hospitais.

Já nas unidades de cuidados continuados, um em cada 20 utentes recebeu, pelo menos, um antimicrobiano durante a sua estadia na unidade. No universo dessas unidades, sete em cada 10 antimicrobianos foram prescritos para o tratamento de uma infeção e três em 10 para profilaxia.

A profilaxia foi, na grande maioria dos casos, administrada para evitar infeções do trato urinário. Embora esta prática possa reduzir o risco de infeção em mulheres, não há nenhuma evidência relativamente à sua eficácia em idosos. Além disso, esta prática está associada a um aumento da resistência aos antimicrobianos.

Ficou demonstrado que a maioria das prescrições de profilaxia pode, portanto, representar o uso desnecessário de antibióticos.

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