“Há muitos anos que formamos 400-500 médicos de família por ano, mas temos imensa dificuldade em fixá-los no SNS”

A terminar o segundo mandato na liderança da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, Nuno Jacinto olha para trás para refletir sobre os sucessos e os grandes desafios dos últimos anos. Do reforço do papel da associação como voz única de todos os médicos de família à urgência de rever as métricas das listas de utentes e fixar os mais jovens no SNS, o responsável passa em revista o estado atual da Medicina Geral e Familiar em Portugal e deixa uma visão clara sobre os caminhos a seguir nos cuidados de saúde primários.

Comparticipação na obesidade restringe acesso e exclui cuidados de saúde primários, denuncia associação

O facto de o Governo não comparticipar os medicamentos para a obesidade prescritos por médicos de família não faz sentido, na opinião de Nuno Jacinto, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar. De acordo com o responsável, estes profissionais têm competências para tratar estes doentes e a medida apenas vai "entupir consultas hospitalares".

“O SNS tem vindo a pôr-se em causa a si mesmo”

Nuno Jacinto termina dois mandatos à frente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) com um balanço positivo, mas deixa alertas sobre a capacidade do SNS para fixar médicos de família, a dimensão das listas e o acompanhamento das equipas. Para o presidente cessante, o problema não está sobretudo em formar mais médicos, mas na incapacidade de os fixar onde fazem falta: “Se nos dizem que somos importantes e que somos o pilar, pois então, que sejam consequentes”.

Assimetria regional “gigante” limita resposta dos cuidados de saúde primários por falta de médicos de família

O principal obstáculo, segundo Nuno Jacinto, é a “assimetria gigante” na cobertura de médicos de família no território nacional. Enquanto algumas zonas têm equipas completas e conseguem dar resposta, outras enfrentam carências graves de profissionais, comprometendo o acesso aos cuidados.

Médicos de família defendem valorização da especialidade que é “a ponte entre as pessoas e o sistema de saúde”

O presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), Nuno Jacinto, abriu o 43.º Encontro Nacional da especialidade com um discurso marcado pela emoção, reflexão e apelo à valorização dos médicos de família, sublinhando a importância da união e da defesa dos cuidados de saúde primários.

“A lógica de um novo futuro mantém-se: é uma marca que esta Direção quer deixar”

É o último Encontro Nacional de Nuno Jacinto, como presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF). O responsável, que acredita num novo futuro para a Medicina Geral e Familiar, aborda alguns dos temas em destaque no evento, como burnout, ensaios clínicos ou indicadores. Estes últimos vão mesmo a tribunal e o representante dos médicos de família portugueses já tem a sentença final. Dá ainda o seu parecer sobre as primeiras USF modelo C.

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