24 Jul, 2020

Teste ao sangue permite detetar cinco cancros antes do diagnóstico tradicional

Desenvolvido por investigadores nos EUA, o teste ao sangue chama-se PanSeer e permite detectar sinais de cancro no estômago, esófago, colo-rectal, pulmão e fígado de forma precoce.

No artigo publicado na revista Nature Communications, os investigadores explicam que o teste procura sinais de uma modificação química no ADN (metilação) no sangue, que está associado à presença de um tumor.

Foram analisadas amostras de plasma de 605 indivíduos que não apresentavam sintomas, dos quais 191 foram posteriormente diagnosticados com cancro. Foram também analisadas amostras de 223 doentes com um cancro diagnosticado e 200 amostras de tumores primários e tecidos normais.

“Nos doentes com pré-diagnóstico de cancro, observámos uma sensibilidade geral de 95% no conjunto de testes. A sensibilidade foi semelhante nos doentes que acabaram por ser diagnosticados com cancro em estádio inicial e nos doentes diagnosticados com cancro tardio e variou de 91% no cancro de esófago a 100% no cancro de fígado”, referiram os investigadores.

O PanSeer detectou precocemente, em pessoas sem sintomas de cancro, 91% dos casos de cinco tipos de cancro diferentes, até quatro anos antes de um diagnóstico tradicional. Para além disso, o teste detectou também 88% dos casos de pessoas que já tinham um tumor diagnosticado e definiu correctamente 95% dos casos em que os participantes testados não desenvolveram qualquer lesão maligna.

 

PanSeer poderá vir a ser usado como rastreio de primeira linha

 

Os investigadores alertam que, apesar das suas descobertas promissoras, é necessário esperar por mais dados de estudos longitudinais para o teste poder ser utilizado num contexto clínico. Este teste não irá servir para detectar doentes que ainda não tenham qualquer lesão maligna, mas que possam vir a ter um tumor mais tarde, uma vez que o que o PanSeer reconhece são sinais de cancro numa fase muito inicial. Contudo, a lesão tem de estar presente.

Existem, actualmente, vários projetos de investigação com diferentes abordagens mas com o mesmo objetivo de desenvolver um teste sanguíneo para detecção precoce do cancro. Os investigadores e autores do estudo antevêem “um contexto clínico em que o PanSeer poderia ser usado como rastreio de primeira linha“, em que o doente com teste positivo no PanSeer iria depois realizar um exame mais completo para “mapear o tecido de origem”, seguido do exame patológico para confirmar a presença de cancro.

O estudo tem ainda “várias limitações“, admitem os investigadores que apresentam, no artigo, oito frentes do trabalho que ainda terá de ser realizado e de aspetos a melhorar no futuro. Os cientistas referem que falta realizar um estudo longitudinal prospectivo mais completo e aproveitar melhor a técnicas de preservação do plasma que minimizam o risco da contaminação das amostras de sangue.

AR/Público

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