“A asma grave é uma área particularmente complexa e em rápida evolução”
A Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) realiza, nos dias 21 e 22 de junho, a 3.ª edição da Escola de Pneumologia, dedicada à Asma Grave, uma iniciativa formativa dirigida a pneumologistas e médicos internos da especialidade. Jorge Ferreira, presidente da SPP, fala sobre a formação e sobre uma patologia que ainda é muito desafiante.

Porquê a existência da Escola de Pneumologia – Asma Grave da SPP?
A Escola da Asma Grave da Sociedade Portuguesa de Pneumologia existe porque a asma grave é uma área particularmente complexa e em rápida evolução. Não se trata apenas de uma forma mais intensa de asma, mas sim de um conjunto heterogéneo de doentes com diferentes fenótipos, respostas terapêuticas e comorbilidades. Além disso, o desenvolvimento de novas terapêuticas, como os medicamentos biológicos, exige atualização constante e uma abordagem altamente especializada. Esta formação pretende uniformizar práticas clínicas e melhorar o cuidado destes doentes.
A asma grave continua a ser uma patologia desafiante para especialistas e internos de Pneumologia?
Sim, continua a ser claramente desafiante. Apesar dos avanços terapêuticos, a asma grave não é uma entidade única. Trata-se de uma síndrome com múltiplas causas e apresentações clínicas. Muitas vezes, o desafio não está apenas na gravidade da doença, mas na correta identificação dos casos verdadeiramente graves, após exclusão de fatores como má adesão terapêutica, técnica inalatória incorreta ou diagnósticos alternativos.
“É necessário otimizar a terapêutica inalatória e decidir quando escalar para tratamentos avançados, como os biológicos. A escolha do medicamento biológico mais adequado depende do fenótipo e dos biomarcadores disponíveis”
O que torna mais difícil o diagnóstico da asma grave?
O principal desafio é garantir que o doente tem de facto asma grave e não asma mal controlada por outros motivos. É essencial excluir diagnósticos alternativos, avaliar a adesão à terapêutica e a técnica inalatória, e identificar corretamente o fenótipo da doença. Além disso, comorbilidades como obesidade, rinite ou refluxo gastroesofágico podem confundir o quadro clínico e dificultar a interpretação.
E no tratamento, quais são as principais dificuldades?
O tratamento exige uma abordagem altamente individualizada. É necessário otimizar a terapêutica inalatória e decidir quando escalar para tratamentos avançados, como os biológicos. A escolha do medicamento biológico mais adequado depende do fenótipo e dos biomarcadores disponíveis. No entanto, nem todos os doentes respondem da mesma forma, o que acrescenta complexidade à decisão terapêutica.
“Embora menos frequente do que a asma ligeira ou moderada, o impacto clínico e socioeconómico desta forma da doença é muito significativo”
E no seguimento dos doentes, quais são os principais desafios?
O seguimento é uma das fases mais exigentes. A asma grave é uma doença dinâmica, que pode variar ao longo do tempo. É necessário reavaliar regularmente o controlo da doença, monitorizar exacerbações, ajustar terapêutica e reforçar continuamente a adesão e a técnica inalatória. Muitas vezes, é também necessário um acompanhamento multidisciplinar.
Atualmente, qual é a incidência da asma grave?
Estima-se que cerca de 5 a 10% dos doentes com asma tenham a forma grave da doença. Em Portugal, onde existem centenas de milhares de pessoas com asma, isso corresponde a dezenas de milhares de doentes com asma grave. Embora menos frequente do que a asma ligeira ou moderada, o impacto clínico e socioeconómico desta forma da doença é muito significativo.
Maria João Garcia
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