25 Jun, 2020

Preocupação em Lisboa. Há um aumento real dos contágios, avisam especialistas

Aumento dos casos detetados não se deve só aos testes e especialistas já admitem que se esteja a formar uma segunda vaga. Há cadeias de transmissão ainda descontroladas.

Na reunião desta quarta-feira, os especialistas ouvidos pela classe política foram unânimes e transmitiram a ideia de que existe mesmo um aumento real do número de infeções por Covid-19 na área de Lisboa e Vale do Tejo (LVT), situação que não se explica só com a intensificação da testagem. Segundo o jornal i, do encontro de ontem saiu também a ideia de que poderemos estar a assistir ao início de uma segunda vaga da pandemia.

Apesar de o Presidente da República ter passado uma mensagem de confiança no final da reunião, garantindo que não há nenhum sinal de descontrolo na região de Lisboa, a verdade é que o número de contágios continua alto e até tem registado uma ligeira tendência de subida. Este comportamento da curva epidemiológica em Lisboa terá levado o infeciologista Baltasar Nunes a admitir ontem que poderemos estar a entrar numa segunda onda da infeção por Covid-19, embora esse dado só pode ser confirmado dentro de, pelo menos, duas semanas, sendo necessário olhar para a evolução da curva de contágios e do Rt nos próximos dias. Para já, o Rt mantém-se pouco acima de 1 a nível nacional (1,08).

Afastada ontem foi a ideia de que a evolução de casos em LVT se explica somente com aumento da testagem. Seria verdade, explicaram os especialistas, se o rácio de casos positivos encontrados fosse baixo. Não é esse cenário que se regista neste momento. Portugal encontra-se em 9º lugar na União Europeia neste indicador, com uma infeção detetada por cada 28 testes feitos – taxa de 3,5%, mais alta que a maioria dos países europeus e que tem vindo a subir em Portugal.  Segundo o site gerido pela Universidade de Oxford, Our World In Data, a 4 de maio a mesma taxa estava nos 1,9% e no final de maio nos 1,8%.

Para além disto, estão a aumentar os internamentos e os internamentos em Unidades de Cuidados Intensivos na grande Lisboa e registam-se agora mais cadeias de transmissão ativas. Também preocupante é o facto de ainda não terem sido identificadas as cadeias de transmissão que estão na origem de 15 a 20% das infeções, o que não permite estancar o contágio. Dos 65 surtos ativos, a grande maioria – 53 – são na região de LVT.

TC/SO

Lisboa: Aumento real dos contágios.

 

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