30 Abr, 2021

Instante 6, a Agonia

Por: Fernanda Mendes Barata

 

 

Todos os dias há valas recentes para deitar as vidas agora mortas. Como foi que chegámos aqui?

Resta-me fazer-me à luta. Mas contra quem? Quem está lá fora que não vejo?

Talvez esse fosse o enigma que nunca entendi: não há inimigo. Ele esteve sempre dentro de mim. Dentro de nós. Dentro das casas onde vivemos com os nossos egoísmos e indiferenças, murados para o mundo dos outros sem percebermos que só nos defendemos se nos protegermos uns aos outros com o vigor de conexão que tanto tentámos estilhaçar.

Exércitos inteiros levantam-se na direção do confronto. Mas vejamos: não desenhámos ética coletiva, não construímos sonho de grupo, utopia comum, ilusão global e, para nosso desencanto, deixámos agora de ter futuro.

Qual guerra? Caímos para dentro do esquecimento…

Trocámos apenas, com o facilitismo do deleite fácil, trocámos – repito e repito e repito para mim mesma – que trocámos a humanidade pela compensação imediata. Fomos castrados na vontade de modificar as nossas vidas. As sociedades organizaram-se ao ponto de nos tornar fantoches por desejos que não eram nossos. Não eram meus.

Afinal, quando brotou a meia noite, adormeci e era o dia seguinte!

Lá fora: Alguém disse: a saúde mental vai ficar doente.

 

Por: Fernanda Mendes Barata

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