4 Mai, 2021

Instante 7, a Negociação

Por: Fernanda Mendes Barata

 

 

O planeta é agora um carreiro estreito. 4.5 milhões de pessoas estão confinadas entre paredes desta tirania invisível.  Joga-se o jogo do medo.  Não tenho cartas na manga, nem dados viciados. Não é possível fazer batota e não tenho por onde fugir. Nenhuma máscara pode disfarçar-me de inocente.

Parece-me que vamos todos a caminho de um velório, todos mais gordos e mais pálidos, e cada um de nós vai velar a si mesmo.

Eu vou, sentada em frente ao computador a partir do qual reinvento agora a minha vida. Há pessoas cobertas de negro, caídas para dentro de buracos comuns. Outras cobertos de branco, começam a correr para escadas de salvação. Outras gritam. Outras berram e estrebucham lançando-se entre si falhas, delitos e erros como foguetes e mísseis que julgam mortíferos. Outras ganham e outras perdem nesta batalha de uns contra os outros e de todos contra todos, em que tudo se parece uma lacuna no tempo.

Perdeu-se o foco. Parece perder-se a guerra.

Eu não quero morrer. Não quero morrer sem desfazer aquilo que não sei que fiz. Ou que não fiz.

Se eu mudar, será que posso ter tudo de volta?

Lá fora: Alguém disse: talvez uma vacina.

 

Por: Fernanda Mendes Barata

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