5 Mar, 2021

Instante 4, a Negação

Por: Fernanda Mendes Barata

 

 

Há em mim o desconforto do avesso. Apetecia-me congelar a passagem do tempo. Parar todos os ponteiros de todos os relógios do mundo. Estancar todas as veias. Suspender as mais variadas viagens de cá para lá e de lá para cá deste novo quotidiano retangular hospedado à força.

Se pudesse – ah eu se pudesse reter todos as redes de todos os computadores, máquinas, acessórios e demais ruminadores das coisas absurdas que fazem agora o antilogismo parecer comum.

Talvez … tudo isto seja um sonho. Um daqueles sonhos que surgem durante uma tarde de cansaço, adormecido no sofá, caído para as bermas duma realidade temida. Talvez um sonho mau do qual acordamos quando o duche nos passa na pele. Quem sabe, apenas um sonho-sonho, um desejo de renovação, de expurgo, de vómito ou a expulsão dos demónios de uma existência vivida como se um pesadelo se tratasse.

Lá fora: a Terra respira melhor, batem palmas às janelas e alguém escreveu: parem de romancear.

 

Por: Fernanda Mendes Barata

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