2 Jul, 2021

Testagem começa “a perder eficácia”. Taxa de positividade já está nos 3%

Testagem "não está a ter capacidade de poder controlar o aumento da incidência", alerta o professor Carlos Antunes, da FCUL.

O investigador Carlos Antunes advertiu  que a testagem à covid-19 está a “perder a sua eficácia”, o que se está a refletir na taxa de positividade, que está atualmente acima dos 3%.

Atualmente estamos numa tentativa de reação de aumentar a testagem, mas a testagem está a perder a sua eficácia e não está a ter capacidade de poder controlar o aumento da incidência. Isso vê-se na positividade. Estamos já acima dos 3% de positividade já com dados de hoje”, afirmou o investigador numa audição no parlamento.

O investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) explicou que esta positividade pode ser vista de forma diferente em termos de número de casos detetados por cada 100 mil testes realizados.

Em finais de abril, por cada 100 mil testes, foram detetados cerca de 700 casos. Hoje os mesmos 100 mil testes detetam três mil casos, disse Carlos Antunes na Comissão Eventual para o acompanhamento da aplicação das medidas de resposta à covid-19, onde foi ouvido com outros especialistas sobre a evolução da pandemia, a pedido do PSD.

Analisando a situação epidemiológica, Carlos Antunes afirmou que a taxa média de incidência dos últimos cinco dias é de 202 casos por 100 mil habitantes, com tendência para aumentar, com uma taxa diária de aumento da incidência de 5,1% ao dia, o que corresponde a uma duplicação de casos a cada 12 dias.

“Estamos a chegar aos 2.000 casos diários e, portanto, a duplicação de 12 dias significa que há um potencial de que daqui a 12 dias poderemos estar nos 4.000 casos”.

O grupo etário dos 20 aos 29 tem uma taxa de crescimento de 4,7%, como acontece com quase todos os outros grupos até aos 50 anos.

“Depois é seguido pelos grupos etários dos 10 aos 19 e dos 30 aos 39, mas no grupo todo dos 0 aos 49 temos crescimentos na ordem dos 5%”, salientou.

Salientou ainda que o risco é elevado a nível nacional e “muito elevado” em Lisboa e Vale do Tejo e Algarve, mas com o aumento da cobertura vacinal tornam-se “cada vez mais improváveis” os níveis de risco elevado ou muito elevado.

Relativamente às hospitalizações, o matemático afirmou que, em termos de unidade de cuidados intensivos, a ocupação mantém-se, não quebrando “os mínimos que foram alcançados em períodos anteriores aos da vacinação”.

No seu entender, esses mínimos são necessários “serem quebrados” para confirmar a tendência também decrescente da perigosidade relativamente aos internamentos de situações mais gravosas.

O aumento dos internamentos verificou-se nas enfermarias a partir de 20 de maio e nos cuidados intensivos apenas no início de junho.

Nos últimos dias, verificou-se na região de Lisboa e Vale uma estabilização dos cuidados intensivos entre 71 e 75 camas, mas mantendo-se próximo do “limiar da linha vermelha” nos cuidados intensivos que é de 80, 84 camas, que estão com uma ocupação de 24%, referiu.

O Algarve tem 33% dessa ocupação, enquanto a região Norte e Centro tem apenas uma ocupação de 5% a 6% com doentes covid-19, disse Carlos Antunes, observando que 60% desta ocupação é abaixo dos 60 anos e 42% abaixo dos 50.

Analisando o desconfinamento, Carlos Antunes considerou que foi demasiado rápido: “Podia ter sido iniciado mais cedo, mas tinha que ser mais lento”.

SO/LUSA

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