O presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos, Alexandre Valentim Lourenço, defendeu, em entrevista ao Diário de Notícias, medidas mais rigorosas para a zona do Algarve, dizendo que se houver um surto de 100 casos em Faro ou em Portimão tinha que se “fechar o Algarve”.

“A minha preocupação com a abertura de uma área turística está relacionada com o facto de as estruturas de saúde pública serem ou não capazes de lidar com os desafios para conter a infecção”, argumenta o médico, que alerta para a falta de clínicos na região para lidar com um surto desta dimensão. A região, alerta, tem uma crónica falta de médicos durante o verão, sendo que um surto de grandes dimensões iria expor ainda mais as dificuldades da estrutura do SNS do Algarve.

Alexandre Valentim Lourenço espera, por isso, que haja uma “dotação de meios suplementares” e “que se aprenda com o que aconteceu no Norte e agora em Lisboa. “O que vai acontecer daqui a um mês no Algarve será muito semelhante”, vaticina.

 

ARS desdramatiza

 

Entretanto, e perante o alarme causado, a Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve garantiu que tem capacidade instalada para responder a eventuais surtos de covid-19 que surjam no Algarve, como o que foi registado em Lagos, “sem perigo de fechar” a região.

O presidente do conselho diretivo da ARS/Algave, Paulo Morgado, afirmou à Lusa que “não há perigo de o Algarve fechar, de o Alentejo fechar ou de o país fechar” porque o que se verifica “neste momento é o aparecimento de pequenos surtos aqui e acolá”, o que pode acontecer em qualquer “ponto do território nacional” ou em outros países.

São declarações alarmistas. Neste momento, a situação da pandemia e da epidemia em Portugal não está completamente controlada, é verdade, mas estamos numa fase descendente da curva. Podemos vir a ter uma segunda onda, como outros países onde a doença existe, mas se essa onda vai ser maior ou menor, ninguém sabe e ninguém é capaz de prever”, disse o presidente da ARS.

Paulo Morgado assegurou que “o Algarve tem capacidade de resposta”, como “teve para a primeira onda” da pandemia, quando “nunca esteve perto de esgotar a capacidade instalada” para tratar os doentes infetados pelo novo coronavírus.

Temos capacidade para ter cerca de 250 doentes covid internados nos nossos hospitais e o máximo que tivemos foi um décimo disso, em termos de capacidade de internamento”, exemplificou, considerando que, “num surto de 100 pessoas, se calhar, só 10 é que precisam de internamento”.

SO/LUSA

 

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