4 Out, 2021

Projeto do IMM tenta compreender o comportamento das células do tumor da mama

Projeto terá um laboratório focado na investigação em cancro da mama metastático, no sentido de "desenhar estratégias terapêuticas eficazes".

Foi lançado, pelo Instituto de Medicina Molecular (iMM), um novo projeto para a compreensão do comportamento das células do tumor da mama no seu microambiente, procurando descobrir futuras terapias contra o cancro metastático.

Segundo o iMM, este “projeto inovador” estará a cargo do iMM-Laço Hub, uma marca sem fins lucrativos que pretende promover a interligação entre médicos e cientistas para que investiguem a compreensão desta doença no seu microambiente, e conta com o apoio financeiro de uma doação de parte da herança da bailarina luso-espanhola Ana Lázaro.

Recorrendo a uma abordagem multidisciplinar e conciliando várias áreas de experiência numa só equipa, este projeto surge na sequência do Fundo iMM-Laço, criado em 2015, quando Lynne Archibald, presidente da Associação Laço, delegou ao IMM a tarefa de manter viva a luta contra o cancro da mama.

Para a diretora executiva do iMM, Maria Manuela Mota, que juntamente com o diretor do departamento de Oncologia do Centro Hospitalar de Lisboa Norte, Sérgio Dias, apresentou o projeto, esta nova iniciativa “é constituída por duas partes que não vivem uma sem a outra: um laboratório focado na investigação em cancro da mama metastático e uma equipa que tem como função dedicar-se à relação da ciência com a sociedade civil”.

“Esta estrutura multidisciplinar junta médicos e cientistas com um objetivo comum – compreender as interações celulares e do microambiente tumoral no cancro da mama. É este conhecimento que permitirá desenhar estratégias terapêuticas eficazes para o cancro da mama metastático”, explica Maria Manuel Mota.

Em Portugal, cerca de sete mil pessoas recebem todos os anos o diagnóstico de cancro da mama e mais de 1. 500 perdem a vida devido a esta doença. Os avanços alcançados ao longos dos últimos anos permitiram um rastreio efetivo onde são detetados tumores na mama cada vez mais cedo, sublinha o iMM.

“Os tratamentos de quimioterapia e radioterapia e as cirurgias de remoção do tumor, são cada vez mais eficazes e permitem aos doentes alcançar uma taxa de sobrevivência cada vez maior. No entanto, ainda há várias questões para as quais não há resposta e onde a ciência, o conhecimento e a investigação científica são as melhores armas que podemos dispor”, acrescenta em comunicado.

A equipa do iMM-Laço Hub é liderada pelo consultor científico e investigador principal do iMM, Sérgio Dias, e, na área científica, o Breast Cancer Lab vai ser coordenado pela investigadora Karine Serre e terá o suporte do Laboratório de Oncologia, liderado por Luis Costa, diretor do Serviço de Oncologia do Hospital de Santa Maria e investigador principal do iMM.

Será também apoiado pelo Laboratório de Biologia Computacional, liderado por Nuno Morais, investigador principal do iMM e o Biobanco do Centro Académico e de Medicina de Lisboa (CAML).

A apoiar o lado científico estará a equipa de fundraising, “outro dos pontos fundamentais para o iMM-Laço Hub, que irá apostar na sensibilização da sociedade civil para esta doença.

“Este projeto compromete-se também a honrar a história de Ana Lázaro, mulher, bailarina e filantropa que ao deixar parte da sua herança ao iMM como apoio à ciência é um exemplo de como todos podemos contribuir para e estar cada vez mais envolvidos com a ciência e investigação em Portugal”, salienta ainda Maria Manuel Mota.

Ana Lázaro nasceu em 1933, filha do pintor português Bonifácio Lázaro Lozano. Ana, nascida em Portugal, mas também com nacionalidade espanhola, vive os primeiros anos em Lisboa, mudando-se com a família para Madrid onde prossegue a sua carreira na dança. Primeiro como bailarina e mais tarde como coreógrafa e professora de dança, tendo encabeçado a primeira cátedra de Dança Clássica na Real Escuela Superior de Arte Dramático y Danza.

Ana Lázaro, que morreu em Madrid em 2014, aos 81 anos, teve um papel importante na divulgação da dança clássica, onde teve programas de aulas de ballet na televisão espanhola e até mesmo um documentário sobre a história da dança. Pela sua escola passaram nomes importantes da dança espanhola como Nazaret Panadero, ou Virginia Valero, diretora do Conservatório Superior de Dança de Madrid.

Movida por um profundo sentido de solidariedade, e acreditando que cada um pode deixar uma marca importante no mundo, destinou parte da sua herança à ciência, com uma doação ao iMM.

LUSA

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