28 Nov, 2022

Afluência às urgências pediátricas dispara. Pais “vêm por tudo e por nada”, dizem os médicos

O aumento da afluência atinge os 40%. A maioria dos casos não são graves e não justificam uma ida à urgência. Pediatrias pedem um maior recurso aos cuidados no domicílio.

A procura pelas urgências pediátricas de alguns dos maiores hospitais do país está a aumentar entre 30 a 40%, avança o Expresso. A disseminação dos vírus respiratórios, como o influenza (que provoca a gripe) e o vírus sincicial respiratório, aliada ao défice imunitário das crianças (causado pela falta de contacto com o exterior durante a pandemia), está a sobrecarregar a capacidade dos serviços, fazendo aumentar as horas de espera.

No Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, os profissionais relatam um cenário de caos nas últimas segundas-feiras, com 400 episódios de urgência por dia. O cenário repete-se no setor privado, um refúgio cada vez mais procurado por quem quer evitar as longas esperas nas urgências do SNS.

O aumento da afluências às urgências provoca também uma maior pressão no internamento. No Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, por exemplo, o último mês trouxe um aumento 90% nos internamentos de curta duração, no Serviço de Urgência. Com a pressão a aumentar, a gestão de vagas torna-se “muitas vezes difícil”, realça o diretor do Centro Materno-Infantil do Norte, instituição que tem sentido também um aumento de crianças na urgência com doença respiratória aguda.

Ainda assim, a percentagem de crianças que recorrem à urgência e ficam internadas é muito baixa. No hospital Garcia de Orta, em Almada, ronda, por exemplo, os 3%. É um indicador de que a maior parte dos casos não são graves e não justificam uma ida à urgência, salientam os pediatras. No Hospital Amadora-Sintra, quase 70% “dos doentes pediátricos são considerados pouco urgentes (verdes) ou não urgentes (azuis)”. As principais queixas são febre de curta duração, obstrução nasal, tosse e dor de garganta ou de ouvidos, sintomas que, salienta a equipa médica pediátrica, “apenas necessitam de cuidados gerais no domicílio, geralmente cinco a sete dias, como hidratação frequente, repouso, desobstrução nasal e paracetamol para aliviar o eventual desconforto”.

O problema é que os pais parecem estar mais iletrados: vêm por tudo e por nada”, diz Rita Machado, diretora da Urgência Pediátrica do Hospital de Dona Estefânia. Já o diretor da Urgência Pediátrica do Hospital de São João salienta que, hoje em dia, “a dedicação [dos pais aos filhos] é ao minuto e estes não toleram ver o filho menos bem”. Os pediatras aconselham os pais a utilizaram mais o autocuidado, a não se precipitarem no recurso à urgência e a utilizaram com maior frequência a linha SNS24.

SO

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