9 Jun, 2026

Mais de 3.500 doentes continuam internados após alta clínica nos hospitais públicos

O número de pessoas que permanecem internadas nos hospitais públicos apesar de já terem alta clínica ultrapassou as 3.500 no final de maio. O diretor executivo do SNS admite que o problema não será resolvido a curto prazo, mas garante que estão a ser reforçadas as respostas disponíveis.

Mais de 3.500 doentes continuam internados após alta clínica nos hospitais públicos

Mais de 3.500 pessoas continuavam internadas nos hospitais públicos no final de maio, apesar de já reunirem condições clínicas para ter alta, revelou esta terça-feira o diretor executivo do Serviço Nacional de Saúde (SNS), que reconheceu que o problema dos chamados internamentos sociais não tem solução imediata.

Em audição na Comissão Parlamentar de Saúde, a pedido do PS, Álvaro Almeida indicou que as unidades locais de saúde registavam, no final de maio, 3.536 situações de alta protelada.

Deste total, 1.339 casos estavam relacionados com a inexistência de resposta social ou familiar adequada para acolher os utentes após a saída do hospital.

O número representa um agravamento face aos dados divulgados recentemente pela ministra da Saúde, que apontavam para 3.493 pessoas nesta situação no final de abril. Em apenas um mês, registou-se um aumento de 43 casos.

Segundo Álvaro Almeida, estes números resultam de um levantamento realizado pela Direção Executiva do SNS em todos os hospitais públicos, utilizando uma definição abrangente de alta protelada, que inclui todos os doentes que, do ponto de vista clínico, já poderiam ter deixado o internamento.

Entre os casos identificados encontram-se também 1.358 pessoas à espera de vaga na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados e 513 utentes que aguardam resolução ao abrigo do regime jurídico do maior acompanhado, entre outras situações.

O responsável sublinhou, por isso, que os diferentes indicadores existentes sobre o fenómeno não devem ser comparados diretamente quando utilizam critérios distintos. A observação surge na sequência do mais recente barómetro da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, que estimou em cerca de 2.800 os internamentos inadequados nos hospitais.

Perante os deputados, Álvaro Almeida admitiu que os internamentos sociais continuarão a representar um desafio significativo ao longo deste ano.

Ainda assim, destacou que estão a ser adotadas medidas para reduzir gradualmente o problema. Desde o início de 2026, foram encaminhadas 422 pessoas ao abrigo de uma portaria de 2023 que prevê respostas sociais específicas para estes casos, o que representa um aumento de 27% face ao mesmo período do ano anterior.

O diretor executivo do SNS considerou que o reforço da capacidade de resposta observado desde a entrada em vigor dessa legislação tem contribuído para minimizar o impacto do problema.

Em resposta à deputada socialista Susana Correia, que salientou o aumento de cerca de 30% dos internamentos sociais durante a atual legislatura, Álvaro Almeida adiantou ainda que, desde 14 de maio, 79 utentes foram colocados em camas intermédias.

Estas vagas resultam de uma portaria publicada este ano que criou 400 camas intermédias destinadas a acolher pessoas com alta clínica, libertando assim capacidade nos hospitais públicos.

O responsável observou ainda que o número de internamentos sociais tem vindo a aumentar de forma contínua desde 2017, associando esta evolução ao envelhecimento da população e ao crescimento do número de pessoas dependentes que não encontram resposta imediata quando recebem alta hospitalar.

Na perspetiva da área da Saúde, Álvaro Almeida defendeu que a aposta nos cuidados domiciliários constitui a estratégia mais eficaz para enfrentar este desafio. Além de exigirem menos investimento em infraestruturas e recursos humanos, estes cuidados correspondem, segundo afirmou, à opção preferida pela maioria das pessoas.

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