5 Ago, 2026

Plataforma criada por estudantes apoia famílias após diagnóstico de demência

A plataforma digital SARA, desenvolvida por estudantes universitários do Porto e de Lisboa, pretende apoiar famílias e cuidadores de pessoas com demência, ajudando na organização dos cuidados, no acompanhamento da doença e na comunicação com os profissionais de saúde.

Plataforma criada por estudantes apoia famílias após diagnóstico de demência

Um grupo de estudantes universitários do Porto e de Lisboa está a desenvolver a plataforma digital SARA, uma ferramenta concebida para apoiar famílias e cuidadores de pessoas com demência, sobretudo na fase inicial após o diagnóstico, quando surgem novas rotinas, dúvidas e responsabilidades.

Em declarações à Lusa, a diretora-executiva do projeto, Rita Graça, explicou que a intervenção está pensada para os primeiros tempos após o diagnóstico. “A intervenção ocorre num pós-diagnóstico, não tanto quando as famílias têm um diagnóstico já há oito ou nove anos”, afirmou.

A plataforma reúne várias funcionalidades destinadas a facilitar a gestão dos cuidados, incluindo um calendário para registo de consultas, atividades e episódios médicos, um sistema para acompanhar a evolução da doença através de anotações dos cuidadores e a possibilidade de gerar relatórios que podem ser partilhados com o médico de família ou neurologista responsável pelo acompanhamento do doente.

O objetivo é simplificar tarefas que continuam, muitas vezes, a ser feitas manualmente. “É dar apoio às famílias, fazer com que os cuidadores não tenham de passar por tudo sozinhos. A falar com alguns cuidadores, percebemos que grande parte do intervalo entre consulta A e consulta B é tudo escrito num caderno. O que acontece nesse meio, em casa, é tudo escrito no caderno. Então, isto é só um dos pequenos exemplos de coisas que deveriam estar a ser mais automatizadas e não estão”, exemplificou Rita Graça.

Estudante da Universidade Nova de Lisboa, Rita Graça explicou que a SARA pretende agregar informação, tarefas e orientações “de forma simples e intuitiva”, facilitando o dia a dia dos cuidadores.

Nesta fase, a equipa está a estabelecer contactos com hospitais, associações, autarquias e seguradoras para criar parcerias que permitam disponibilizar a plataforma gratuitamente aos utilizadores e alargar o seu alcance.

A ideia nasceu de uma experiência pessoal da estudante, que rapidamente percebeu tratar-se de um problema muito mais abrangente. “A ideia em si surgiu de um problema pessoal e depois, quando fui confrontar isso com dados reais, comecei a perceber que afinal não era só pessoal e sim mundial. De facto, os números são assustadores, cerca de 57 milhões de pessoas no mundo têm demência, e isto é um número conservador, e só em Portugal são cerca de 240 mil. E comecei a perceber que, de facto, não havia assim muito apoio para estas famílias. Há apoios para o diagnosticado, mas para a família não há”, referiu.

O projeto nasceu em abril, depois de a ideia ter conquistado o segundo lugar num concurso de empreendedorismo. A equipa foi posteriormente reformulada para participar na European Innovation Academy, que decorre no Porto, reunindo atualmente cinco estudantes da Universidade Nova de Lisboa, da Universidade do Porto e do Instituto Superior Técnico.

Além da SARA, a iniciativa acolhe outros projetos inovadores na área da saúde, entre os quais o Synetra, uma plataforma portátil de monitorização pré-hospitalar de doentes, e o SunCheck, um penso inteligente desenvolvido para monitorizar a exposição à radiação ultravioleta.

LUSA/SO

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