18 Set, 2026

Vacinação da gripe arranca a 30 de setembro e é alargada a crianças dos 2 aos 4 anos

A Direção-Geral da Saúde recomenda, para os casos de primovacinação, a administração de duas doses da vacina contra a gripe às crianças dos seis aos 23 meses de idade.

Vacinação da gripe arranca a 30 de setembro e é alargada a crianças dos 2 aos 4 anos

A vacinação sazonal contra a gripe vai decorrer entre 30 de setembro e 31 de março de 2027, prevendo como principal novidade o seu alargamento gratuito às crianças entre os dois e quatro anos.

A estratégia da campanha de vacinação sazonal de outono e inverno consta de uma norma publicada, com a Direção-Geral da Saúde (DGS) a adiantar que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) adquiriu cerca de 2,3 milhões doses de vacinas contra a gripe de dose normal e outras 369 mil de dose elevada.

Em relação à campanha anterior, este volume representa um aumento de 187 mil vacinas de dose normal e de 12 mil de dose elevada, o que garante “vacinas para a gripe para todos os que se queiram vacinar” nos termos da norma agora publicada.

Segundo a DGS, uma das novidades da próxima campanha será o alargamento da vacinação gratuita das crianças entre os dois e os quatro anos com a vacina trivalente inativada de dose padrão. A DGS recomenda ainda, para os casos de primovacinação [sem histórico de vacinação prévia], a administração de duas doses às crianças dos seis aos 23 meses de idade, salientando que esta medida reforça a sua proteção e contribui também para a redução da transmissão da doença na comunidade.

As crianças abrangidas pela vacinação gratuita serão vacinadas nas unidades do SNS e em hospitais e clínicas dos setores privado e social que sejam pontos de vacinação autorizados. Em relação aos locais de vacinação, será alargada a administração das vacinas contra a gripe em farmácias às pessoas entre os 18 e os 59 anos com patologias de risco elegíveis, como forma de reforçar a acessibilidade e conveniência à vacinação.

De acordo com a DGS, nos grupos elegíveis estão também incluídos os profissionais que prestam diretamente cuidados nos setores social e privado em unidades com internamento, de cirurgia de ambulatório, de obstetrícia e neonatologia e de diálise, assim como estabelecimentos com atendimento permanente.

Entre os grupos elegíveis para a vacinação constam também as grávidas, profissionais do SNS, bombeiros com contacto direto com pessoas de alto risco de doença grave, reclusos e pessoas em situação de sem-abrigo, entre outros.

Para os idosos com 85 ou mais anos, está prevista a vacinação de dose elevada, assim como para residentes com 60 ou mais anos em lares de apoio e residenciais, centros de acolhimento temporário e que estejam na rede de cuidados continuados integrados.

A DGS salienta que a vacinação sazonal pretende diminuir o risco de doença grave e de hospitalização em pessoas de grupos de risco específicos, assim como reduzir a transmissão comunitária do vírus e a pressão sobre os serviços de saúde, que habitualmente ficam sobrecarregados durante o inverno, devido às infeções respiratórias.

Em relação à campanha contra a covid-19, que vai decorrer também entre 30 de setembro e 31 de março, o limiar etário para recomendação da vacina passa dos 60 para os 70 anos, mantendo-se a vacinação de pessoas com condições ou patologias associadas a maior risco de doença grave, bem como de residentes em estruturas e contextos particularmente vulneráveis, refere a DGS.

De acordo com a direção-geral, a estratégia da próxima campanha reforça uma “abordagem mais direcionada” aos profissionais de saúde que apresentam fatores de risco individuais associados a maior risco de doença grave ou que prestam cuidados diretos e regulares a pessoas vulneráveis.

No âmbito da vacinação contra a covid-19, também é alargada a vacinação nas farmácias às pessoas entre os 18 e os 69 anos com patologias de risco, mantendo-se a vacinação das pessoas entre os 70 e os 84 anos, independentemente da existência dessas doenças.

Estudo aponta recuo na vacinação infantil na UE

A vacinação infantil mostra sinais de recuo em vários países europeus desde a pandemia da covid-19, com risco de ressurgirem doenças infecciosas, conclui a revista The Lancet Regional Health, que aponta que Portugal mantém uma cobertura elevada.

De acordo com o estudo, os níveis de sete vacinas infantis (difteria-tétano-tosse convulsa, hepatite B, meningite B, poliomielite, pneumococo, sarampo e rubéola) nos 27 países da UE foram analisados ao longo de mais de 40 anos, entre 1980 e 2024, com base em dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

O resultado aponta para “um panorama complexo”, de acordo com os autores desta análise abrangente, publicada na The Lancet Regional Health.

Por um lado, a UE atingiu taxas de vacinação infantil “historicamente elevadas” contra estas doenças, com um aumento substancial ao longo de cerca de quarenta anos, mas heterogéneo consoante os países.

Em 2024, o Luxemburgo e Portugal destacaram-se ao registar coberturas vacinais iguais ou superiores a 97% nas sete vacinas avaliadas, contrastando fortemente com a Roménia, que se situava abaixo dos 80%.

No entanto, “uma deterioração recente, preocupante e generalizada” tem-se vindo a delinear nos últimos anos, desde o início da era da covid-19, revela o estudo.

Dezasseis países da UE registaram uma descida nas taxas de vacinação para, pelo menos, quatro vacinas. Na Bulgária, no Chipre, na Irlanda, nos Países Baixos, na Roménia e na Suécia, as sete vacinas analisadas registaram todas uma descida nos últimos anos.

Os dados da Alemanha e de Espanha também revelaram um recuo em cinco das sete vacinas infantis, enquanto em França e Itália a cobertura vacinal aumentou para quatro vacinas e diminuiu para outras três.

As quedas mais acentuadas observadas recentemente registaram-se nas vacinas infantis contra a meningite B e contra a poliomielite — em declínio em 20 países —, seguidas das vacinas contra a hepatite B — em declínio em 18 países — e contra a difteria, o tétano e a poliomielite — em declínio em 17 países.

As tendências parecem relativamente menos desfavoráveis no que diz respeito ao sarampo e à rubéola.

Embora os investigadores considerem que a crise sanitária decorrente da pandemia possa ter contribuído para esta situação, salientam também que o estudo não tinha como objetivo esclarecer as razões por trás destas evoluções na vacinação.

Insistem sobretudo na urgência de garantir uma cobertura vacinal elevada e sustentável, “a fim de prevenir o ressurgimento de doenças infecciosas”.

Nos últimos 50 anos, a vacinação reduziu o impacto de doenças como o tétano, a tosse convulsa, a pneumonia, o sarampo, a gripe e a difteria, evitando mais de 154 milhões de mortes em todo o mundo, sobretudo entre as crianças, recorda o estudo.

A crise provocada pela covid-19 causou perturbações no sistema de saúde e alimentou a desconfiança e a desinformação.

SO/LUSA

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