29 Nov, 2022

Urgências. Ministro desresponsabiliza os utentes e culpa a “forma como o sistema está organizado”

O ministro da Saúde, Manuel Pizarro, admitiu que o problema das urgências em Portugal é “crónico”, esperando que melhore com a abertura de centros de saúde em horários complementares.

“Há dificuldades, lamento essas dificuldades, temos de as superar. É um desafio, mas é um desafio sistémico. Temos em Portugal um problema crónico com as urgências. Temos afluxo excessivo às urgências. A culpa é das pessoas? Não acho que seja. Acho que a responsabilidade é a forma como organizamos o sistema. Temos poucas alternativas”, disse Manuel Pizarro.

O governante acrescentou que o plano de contingência para o inverno prevê a abertura de centros de saúde em horários complementares e avançou que há já 176 centros de saúde que abertos para além do horário normal.

O ministro da saúde falava aos jornalistas em Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto, tendo sido confrontado com problemas nas urgências em hospitais que geraram relatos de longos tempos de espera.

“Hoje a situação nos hospitais portugueses é muito melhor do que era na segunda-feira da semana passada. Reajo sempre com tristeza à informação de que em um outro hospital estamos com problemas de atendimento, mas não podemos confundir isso com a situação geral dos serviços”, disse o governante.

Manuel Pizarro afirmou que “hoje a situação dos hospitais da Grande Lisboa está a correr francamente melhor” e elogiou o esforço dos médicos, dos enfermeiros e outros profissionais de saúde.

“Têm feito um grande esforço e no geral os portugueses estão a ser muito bem atendidos nos hospitais públicos”, disse.

À margem da iniciativa “A Saúde Mental no Pós-Pandemia – Estigma e Combate”, promovida em parceria pela Rádio Renascença e a Câmara de Vila Nova de Gaia, Manuel Pizarro disse que “situações pontuais de dificuldade existirão sempre em todo o mundo”. O governante admitiu que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) não tem o número de profissionais e que necessita, embora desde 2015 tenham entrado mais 25 mil.

“Claro que precisamos de mais. Estamos a trabalhar para conseguir ter”, resumiu.

Convidado a comentar a entrevista do ex-ministro da Saúde Correia de Campos, ao Jornal de Negócios e Antena 1, na qual este considerou que “o Ministério da Saúde foi transformado em secretaria de Estado das Finanças” e que “é preciso alargar os cordões à bolsa”, Manuel Pizarro reiterou que o orçamento para a Saúde tem o maior aumento de sempre.

“Acho que este é um orçamento muito positivo para o SNS. Vai ser um orçamento de execução muito exigente”, disse.

Salvaguardando que ouve “sempre com muito respeito as declarações de pessoas com tanta experiência”, Pizarro escusou-se a comentar as palavras do antigo ministro, mas acrescentou: “Não tenho dúvidas nenhumas que vamos fazer um exercício orçamental muito exigente”.

Já questionado sobre o recurso a horas extra para preencher escalas no SNS, o ministro da Saúde referiu que “não é fácil” encontrar um sistema que não dependa tanto de horas extra, algo que “tanto quanto possível” gostaria de evitar.

“Há uma demografia médica adversa: há muitos médicos acima dos 50 anos que estão dispensados de prestar serviço noturno ou até acima dos 55 estão dispensados de fazer urgência. Veremos se a reorganização das urgências nos vai permitir depender menos das horas extra”, apontou.

Manuel Pizarro apontou, por fim, que Portugal tem uma rede “muito poderosa com mais de 80 postos de urgência abertos 24 sobre 24 horas todos os dias”, algo que é, frisou, “muito consumidor de recursos humanos especializados”.

LUSA

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