Consultas habituais, consultas em atraso, consultas a utentes de outros médicos, seguimento de doentes com Covid-19 e suspeitos, resposta a emails. O Sindicato Independentemente dos Médicos (SIM) alerta que os médicos de família estão sobrecarregados e muitos “próximos do limite da exaustão”, devido às múltiplas tarefas que têm de assegurar.

“Os Médicos de Família estão hoje a responder a centenas de telefonemas, emails e outros contactos não presenciais por semana, a fazer telefonemas a utentes com COVID-19 e a fazer dezenas ou centenas de telefonemas a utentes suspeitos de COVID-19, ao mesmo tempo que recuperam a atividade de consultas presenciais”, alega o SIM.

Em comunicado, o SIM diz que a “agenda dos Médicos de Família não tem espaço para todas estas tarefas” e sublinha que os médicos fizeram, só durante o mês de julho, mais de 1 milhão e 700 mil consultas não presenciais, estando sujeitos a uma “brutal sobrecarga” de trabalho “persistentemente acima da sua capacidade de agenda em situações normais”.

O Sindicato liderado por Jorge Roque da Cunha garante que esta sobrecarga “resultou agora na evidente e inevitável incapacidade de responder rapidamente a todos os pedidos, em consequência das inúmeras novas tarefas que lhes foram atribuídas no contexto da pandemia de COVID-19″. “A dificuldade no acesso a consultas nos Centros de Saúde é o resultado prático e visível da política seguida pelo Ministério da Saúde nos últimos anos de ignorar a enorme sobrecarga dos Médicos de Família”, acrescenta.

Entretanto, o Ministério da Saúde prometeu entregar 30 mil telemóveis aos Centros de Saúde. O SIM sublinha a importância da medida mas ressalva que a “sobrecarga atualmente existente manter-se-á absolutamente inalterada com mais ou menos telemóveis”.

O SIM defende que “as centenas de contactos telefónicos a utentes suspeitos de COVID-19 ou utentes com COVID-19 sem critérios de gravidade” sejam asseguradas por equipas de profissionais de saúde contratados para o efeito. “Exigir este trabalho aos Médicos de Família ao mesmo tempo que se lhes exige as consultas presenciais habituais, não é razoável”, conclui.

Ao mesmo tempo, o sindicato também defende que as Áreas Dedicadas à COVID-19 devem ter um quadro de médicos próprio. “O cenário atual de deslocar Médicos de Família dos Centros de Saúde para as ADC ao mesmo tempo que se exige que os doentes desses Médicos de Família tenham consulta nos Centros de Saúde, não é razoável”, acrescenta o SIM.

SO/COMUNICADO

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