12 Jun, 2020

Infarmed recolhe lote de testes serológicos após “falsos negativos”

Um lote de testes serológicos rápidos para deteção de anticorpos à covid-19 vai ser recolhido, após se terem verificado dois resultados “falsos negativos”.

Numa circular pública, o Infarmed informa que o distribuidor nacional dos testes rápidos de anticorpos “Tell Me Fast Rapid Diagnostic Test Coronavirus”, do fabricante Biocant Diagnostics Inc, está a efetuar a recolha voluntária de um lote, após se terem verificado dois resultados falsos negativos em Portugal.

O fabricante, indica o Infarmed, justificou o incidente com o facto de o lote fazer parte da produção inicial do teste e, por isso, “não incluir as melhorias entretanto introduzidas para aumentar a sua sensibilidade e especificidade para a deteção de baixos níveis de anticorpos”.

Assim, o Infarmed determinou a suspensão da comercialização deste lote e a sua recolha.

Na circular, a Autoridade Nacional do Medicamento recorda que os testes de diagnóstico para a covid-19, “incluindo os testes rápidos”, só podem ser realizados por laboratórios hospitalares ou “outros com biossegurança de nível 2, e em unidades prestadoras de cuidados de saúde”.

O Infarmed nota também que a informação sobre os testes rápidos de anticorpos “é ainda limitada” e que, por serem testes de deteção da resposta imunológica, “não estão recomendados para o diagnóstico de novos casos de covid-19”.

Pois, é referido, quando interpretados isoladamente, não excluem a possibilidade de a pessoa estar infetada.

“Apesar da sua limitada utilidade clínica, estes testes podem ser utilizados em estudos de investigação”, é acrescentado na circular.

Na segunda-feira, o secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, já tinha afirmado que os testes serológicos para deteção de anticorpos à covid-19 devem ser usados com “parcimónia e em condições controladas” e feitos em termos de grupo.

O secretário de Estado da Saúde advertiu ainda que, feitos de uma forma individualizada, os testes podem dar “uma falsa sensação de segurança”.

Estes testes não são comparticipados pelo Serviço Nacional de Saúde, ao contrário dos testes moleculares para detetar a presença do vírus, e custam entre 25 e 50 euros.

SO/LUSA

 

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