27 Set, 2022

Falta de pílulas nos centros de saúde obriga utentes a pagar contraceção

Estas falhas explicam-se com a subida dos preços dos contracetivos e atingem particularmente a região de Lisboa e Vale do Tejo.

As constantes falhas na entrega de pílulas contracetivas nos centros de saúde estão a obrigar muitas utentes a recorrer às farmácias, pagando uma parte da contraceção do seu próprio bolso, adianta o Jornal de Notícias. O mesmo problema está também a verificar-se com os dispositivos intrauterinos (DIU, que evitam gravidezes indesejadas) e que também estão em falta nos centros de saúde.

Estas falhas explicam-se com a subida dos preços dos contracetivos. Os concursos públicos para abastecer as unidades de saúde com pílulas e DIU não têm recebido candidaturas das farmacêuticas, uma vez que o valor que o estado se propõe a pagar é insuficiente perante o aumento do preço dos contracetivos. Os concursos, que estão centralizadas na na SPMS [Serviços Partilhados do Ministério da Saúde], têm, por isso, de ser repetidos, atrasando as compras e a distribuição aos centros de saúde.

As falhas atingem todo o país mas são particularmente graves na região de Lisboa e Vale do Tejo, onde alguns centros de saúde têm falhas de stock há cerca de seis meses.

Diogo Urjais, vice-presidente da Associação Nacional de Unidades de Saúde Familiar (USF-AN), refere que quando os centros de saúde não têm pílulas, as utentes recebem uma receita para as comprarem na farmácia, mas têm de pagar parte da compra porque a comparticipação é de 69%. Já no caso dos DIU, a falta de stock obriga a reagendamentos da aplicação.

Para além da falta de contracetivos em alguns centros de saúde, outro problema generalizado é o acesso às consultas de planeamento familiar, onde a contraceção é disponibilizada, alerta a presidente da Sociedade Portuguesa de Contracepção, Teresa Bombas. “O que nos parece mais preocupante é a dificuldade de acesso às consultas de planeamento familiar nos cuidados primários e hospitalares”, refere. Ainda assim, a médica recorda que Portugal é dos países com mais contracetivos gratuitos ou comparticipados.

SO

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