3 Ago, 2018

Encerramento do SAC da Póvoa de Santa Iria pode vir a “entupir” urgências de Alverca e Vila Franca de Xira

Serviço de Atendimento Complementar na Póvoa já encerrou, o que deixa o SAC de Alverca, que já revela dificuldades de resposta, com a responsabilidade de receber mais 70 mil utentes. Presidente da Câmara de Vila Franca contesta a decisão.

O Serviço de Atendimento Complementar (SAC) que funcionava no Centro de Saúde da Póvoa de Santa Iria entre as 20h00 e as 22h00 encerrou na quarta-feira. Localizado numa zona densamente povoada, este Centro de Saúde serve uma população de cerca de 70 mil habitantes. A medida é justificada pelo Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Estuário do Tejo com a criação de uma Unidade de Saúde Familiar na Póvoa e com a necessidade de concentrar recursos em Alverca. Contudo, utentes e autarcas locais alertam que o encerramento pode sobrecarregar em demasia, tanto o SAC de Alverca como as urgências do Hospital de Vila Franca de Xira.

O ACES do Estuário do Tejo, que gere as unidades de saúde primárias de cinco concelhos da região (para além de Vila Franca, Alenquer, Arruda dos Vinhos, Azambuja e Benavente) justifica a decisão com a opção de ter um SAC a funcionar em cada um dos concelhos. Ora, esta opção é, no mínimo, estranha, tendo em conta a diferença populacional dos concelhos em causa em comparação com as duas ‘super’ freguesias. A União de Freguesias da Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa é a mais populosa do concelho de Vila Franca de Xira, com cerca de 45 mil habitantes, e o SAC agora encerrado servia também a vizinha freguesia de Vialonga, com mais cerca de 25 mil habitantes (70 mil pessoas). O concelho de Arruda dos Vinhos tem pouco mais de 13 mil habitantes, Alenquer fica-se pelos 43 mil, Azambuja pelos 22 mil e Benavente pelos 29 mil.

 

Críticas de utentes e autarcas

 

Assim, as 70 mil pessoas que residem nas freguesias mais a sul do concelho, e que ficaram agora sem SAC, terão de recorrer ao Serviço de Atendimento Complementar de Alverca, que já revela dificuldades para responder à procura e que tem sido alvo de críticas por parte de muitos utentes, que questionam a qualidade do atendimento, que é assegurado por apenas dois médicos. O cenário tende, agora, a agravar-se, uma vez que este serviço passa a único deste tipo (aberto até às 22h, ou até às 24h no período de inverno) a funcionar em todo o concelho de Vila Franca, que tem mais de 140 mil habitantes. Também a urgência do hospital de Vila Franca de Xira pode vir a sofrer as consequências desta medida e registar períodos de rutura. O hospital em causa serve uma área de território extensa, com uma população a rondar as 225 mil pessoas.

O presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira contesta a decisão e avisa que esta pode vir “a causar impactos negativos na boa prestação de serviços do Centro de Saúde de Alverca e do próprio hospital”. O socialista Alberto Mesquita já pediu informação complementar e uma reunião com os responsáveis do ACES, “na perspectiva da reposição destes serviços”. O PCP da Póvoa de Santa Iria organizou, na segunda-feira, uma concentração de protesto junto ao centro de saúde local e acusa o ACES de ter escolhido a época de Verão “para, pela calada, roubar um serviço importante para as populações da Póvoa e do Forte da Casa”.

O ACES do Estuário do Tejo argumenta que o SAC da Póvoa funcionava apenas com um médico e que esse clínico vai agora reforçar o SAC de Alverca aos fins-de-semana. O ACES diz também que a criação, há cerca de um ano, da Unidade de Saúde Familiar (USF) Reynaldo dos Santos, na Póvoa, veio permitir atribuir médico de família a mais de 13 mil pessoas, que agora poderão recorrer ao respetivo centro de saúde durante o dia.

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