18 Dez, 2020

Covid-19. Aumento dos óbitos persiste e já está a ser investigado

Quase um mês depois do pico de infeções, o número de mortos não baixa. Portugal é praticamente caso único na Europa.

É um movimento natural. O número de mortes acompanha o aumento do número de casos com uma diferença temporal de cerca de duas a três semanas. No entanto, decorrido quase um mês desde o pico do número de casos (a 25 de novembro), os óbitos não abrandam e estão ainda em crescimento em algumas zonas do país. O fenómeno, quase único na Europa, está a inquietar os especialistas e está já a ser investigado, avança o Expresso.

A 19 de novembro, dia em que foi atingido o pico da segunda vaga, Portugal registava 6994 casos de Covid-19 e 69 mortes. A partir daí verificou-se uma subida contínua dos óbitos, tendência que já deveria ter sido revertida devido ao abrandamento do número de casos. No entanto, o país continua a registar 80 a 90 óbitos diários. “Esta continuação da subida surpreendeu-nos e está agora sob investigação”, indica Manuel Carmo Gomes, professor de Epidemiologia na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) e um dos peritos que têm monitorizado a evolução da epidemia em Portugal.

Numa análise aos números de 30 países europeus, apenas um apresenta semelhanças com Portugal neste aspeto: a Suíça. No entanto, os helvéticos registaram uma décalage de 26 dias entre o início da queda do número de infeções e a diminuição dos óbitos. Em Portugal, já passaram 29 dias e o total de mortes teima em não baixar.

 

Mortes diminuem no Norte e aumentam em LVT e na região Centro

 

Embora no Norte as mortes estejam em declínio há já alguns dias, em regiões como Lisboa e Vale do Tejo e Centro os números continuam a crescer. “O Norte desceu em média sete óbitos por dia, mas o Centro tem em média mais oito mortes diárias e Lisboa mais dez. Somados superam a descida no Norte em 11 mortos a mais por dia”, aponta Manuel Carmo Gomes, em declarações ao Expresso.

Investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa vão analisar os números com mais detalhe para perceberam o que pode estar a causar o atraso na descida do número de óbitos. No entanto, a persistência de um elevado número de mortos já levou a uma revisão em alta do total de mortos para o total do ano, de 6000 a 6500 para 7300.

Tanto os especialistas como o primeiro-ministro estimam que o número de óbitos comece a baixar na próxima semana, mas esta estimativa está envolta em muita incerteza. “Aquilo que os relatórios prospetivos indicam é que, provavelmente, na próxima semana já começaremos a diminuir o número de novos óbitos, mas essas previsões são muito incertas e aquilo que temos de trabalhar é para evitar novos casos, novos internamentos e novos óbitos, porque cada vida é em si única e insubstituível. E é uma perda absoluta, sejam 90, 80 ou 100. Temos de fazer tudo para travar esta pandemia e evitar o número de óbitos”, frisou António Costa.

Bélgica, Reino Unido, França, Alemanha, Espanha ou Países Baixos têm neste momento um número de óbitos por milhão de habitantes, nos últimos 14 dias, mais baixo do que Portugal.

TC/SO

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