22 Set, 2021

Alzheimer. Estudo do IMM confirma influência da proteína IL-17 na manifestação da doença

Resultados confirmam que a produção excessiva da proteína IL-17 contribui para o desenvolvimento de doenças neurodegenerativas, como a doença de Alzheimer.

De acordo com um novo estudo promovido pelo Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes (IMM), um elevado nível da proteína pró-inflamatória IL-17 – molécula produzida pelos linfócitos T gama-delta – está associado à manifestação dos sintomas precoces da doença de Alzheimer. A investigação foi publicada na revista Cell Reports, destaca o Público.

Depois de terem confirmado os benefícios da produção da IL-17 nas meninges para a manutenção da memória a curto prazo em 2019, a equipa do IMM, que também contou com a colaboração de investigadores a trabalhar em França, procurou perceber como o sistema imunitário influencia uma produção em excesso desta molécula e qual a sua relação com o desenvolvimento de doenças neurodegenerativas, como a doença de Alzheimer.

Para tal, foram usados ratinhos transgénicos concebidos para desenvolver esta doença que é responsável por uma significativa percentagem de casos de demência. Segundo a sua observação, quando a produção da IL-17 foi estimulada, surgiram rapidamente os primeiros sinais de défice cognitivo nestes animais.

No mesmo âmbito, para compreender a influência da presença desta proteína nas meninges, os investigadores promoveram ensaios com anticorpos neutralizantes que, neste caso, bloqueiam a atividade específica da IL-17. De acordo com a observação da colíder da investigação, Julie Ribot, “os défices cognitivos nos estádios iniciais e a disfunção sináptica observados nestes modelos foram evitados quando os animais foram tratados com anticorpos neutralizantes de IL-17, sugerindo que a inflamação está a ditar os primeiros sintomas da doença”.

Assim, a tentativa de eliminação desta proteína nas meninges dos ratinhos presentes no estudo garantiu que os sinais da doença surgissem muito mais tarde. No entanto, estes não deixavam de aparecer. Segundo acrescentam, com este método, os primeiros sintomas surgiram por volta dos cinco meses de vida destes roedores, o que equivale a 30-40 anos em humanos.

“Necessitamos de compreender os mecanismos que levam ao desenvolvimento precoce da doença de Alzheimer para que se consigam desenvolver novas estratégias terapêuticas. Além disso, novos estudos podem levar ao uso de IL-17 como um biomarcador de estágios iniciais, melhorando o diagnóstico desta doença”, sugeriu a também líder do estudo e investigadora, Luísa Lopes.

Conheça o estudo aqui.

SO

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