ULS gastaram mais de 2.200 milhões de euros em medicamentos até outubro de 2025
Os medicamentos oncológicos continuam a ter um peso significativo na despesa do SNS. No período em análise, estes fármacos representaram mais de 766 milhões de euros.

As unidades locais de saúde (ULS) gastaram mais de 2.200 milhões de euros em medicamentos entre janeiro e outubro de 2025, um aumento de 268 milhões de euros face ao mesmo período de 2024, segundo dados do relatório da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed), consultado pela agência Lusa.
De acordo com o documento, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) registou uma despesa total de 2.206 milhões de euros com medicamentos nos primeiros dez meses de 2025, o que representa um crescimento de 13,8% em comparação com os 1.938 milhões de euros gastos no período homólogo do ano anterior.
A maioria desta despesa ocorreu em contexto hospitalar. Segundo o Infarmed, os medicamentos utilizados nos hospitais representaram 96% do total, correspondendo a 2.126 milhões de euros, enquanto os cuidados de saúde primários, nomeadamente os centros de saúde, absorveram os restantes 80 milhões de euros.
Entre as unidades locais de saúde, a ULS de Santa Maria foi a que apresentou o maior volume de despesa com medicamentos, com cerca de 251 milhões de euros gastos entre janeiro e outubro de 2025. Seguem-se a ULS de Coimbra, com 197 milhões de euros, e a ULS de São José, com 184 milhões de euros.
Os medicamentos oncológicos continuam a ter um peso significativo na despesa do SNS. No período em análise, estes fármacos representaram mais de 766 milhões de euros, cerca de 35% do total da despesa com medicamentos. Já a área terapêutica do VIH registou um consumo de cerca de 209 milhões de euros.
Em termos de variação anual, a despesa com medicamentos oncológicos aumentou quase 126 milhões de euros face a 2024, enquanto os fármacos utilizados no tratamento do VIH registaram um acréscimo de 4,3 milhões de euros.
No ambulatório, a despesa do SNS com medicamentos atingiu 1.569 milhões de euros até outubro de 2025, mais 177 milhões de euros do que no mesmo período do ano anterior. Paralelamente, os utentes gastaram cerca de 801 milhões de euros nas farmácias comunitárias.
Durante este período, foram dispensadas pelas farmácias mais de 169 milhões de embalagens de medicamentos, o que representa um aumento de 9,1 milhões de embalagens face a 2024.
O relatório do Infarmed destaca ainda o impacto dos medicamentos com a substância ativa semaglutido, utilizados no tratamento da diabetes e também para a perda de peso. Estes fármacos representaram um encargo de quase 42 milhões de euros para o SNS entre janeiro e outubro de 2025, mais 8,7 milhões de euros do que no período homólogo do ano anterior.
SO/LUSA
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