29 Abr, 2021

São João abre Centro de Hemodiálise em Valongo

No concelho de Valongo não existia nenhuma unidade de diálise [nem pública, nem privada] para doentes de ambulatório.

O Centro de Hemodiálise que o Centro Hospitalar e Universitário de São João (CHUSJ) instalou no polo de Valongo abre segunda-feira com 24 postos e capacidade para tratar 70 doentes por dia, foi hoje descrito pelos responsáveis.

“A grande mais-valia tem a ver com critérios de proximidade. No concelho de Valongo não existe nenhuma unidade de diálise [nem pública, nem privada] para doentes de ambulatório. Esta unidade vem cumprir essa falta. Estamos a proporcionar aos doentes que façam o seu tratamento num local mais próximo da sua residência”, referiu aos jornalistas o diretor do serviço de Nefrologia do CHUSJ, Manuel Pestana.

Resultante de um investimento de 900 mil euros, o novo Centro de Hemodiálise do São João – que além do Hospital de São João tem um polo em Valongo – vai entrar em funcionamento segunda-feira com 24 postos, seis turnos de trabalho, e capacidade para 140 doentes, podendo tratar até 70 por dia com “técnicas de hemodiálise avançadas”, refere informação distribuída aos jornalistas esta manhã.

A nova unidade vai servir, preferencialmente, os doentes renais crónicos residentes em Valongo, Maia, Gondomar e Porto.

O objetivo é que funcione como uma extensão do Serviço de Nefrologia do São João que, conforme reconhecimento feito pela Direção-Geral da Saúde, é considerado um Centro de Elevada Diferenciação em Nefrologia desde 2008.

Manuel Pestana também destacou a importância deste novo centro na formação pós-graduada de internos de nefrologia, bem como o que o espaço pode significar para o ensino e investigação científica na área.

Outro dos temas abordados hoje, numa cerimónia presidida pelo secretário de Estado da Saúde, Diogo Serras Lopes, foi a vontade do CHUSJ avançar para modelos de diálise noturna, autodiálise e diálise domiciliária.

A este propósito, à margem da sessão, Manuel Pestana sublinhou que “este não é um projeto acabado” e que a criação de mais valências além das de tratamento em regime de ambulatório “foi contemplada na arquitetura do novo espaço”, uma vez que este inclui “uma sala mais pequena que pode servir para diálise noturna ou autodiálise com mais privacidade”.

“Vamos começar por pôr em funcionamento esta unidade, iniciar atividade para o melhor benefício possível para os doentes, tendo presente que existem outras soluções às quais estamos abertos e queremos disponibilizar aos doentes se for possível”, referiu.

Quanto à diálise domiciliária, modelo que “implica outros recursos”, qualquer avanço dependerá “do próprio interesse dos doentes”, disse o diretor que não tem datas para avançar com estas valências, nem recebeu garantias por parte do secretário de Estado de que poderão ser uma realidade.

“Primeiro vamos deixar abrir o serviço e ver como as coisas vão a correr. Vai correr lindamente seguramente (…). Se chegarmos a uma altura em que serviços mais ambulatórios ainda do que estes ou domiciliários sejam possíveis em condições de segurança para o doente, será uma excelente novidade, mas será sempre uma questão clínica que será decidida e proposta por quem de direito”, disse Diogo Serras Lopes, em declarações aos jornalistas à margem da sessão.

Antes, quer o presidente do conselho de administração do CHUSJ, Fernando Araújo, quer o presidente da Câmara de Valongo, José Manuel Ribeiro, recordaram que este novo Centro de Hemodiálise ocupou o espaço do Serviço de Urgência (SU) do Hospital de Valongo que deixou de funcionar há sete anos, decisão que na época foi contestada e chegou a gerar iniciativas populares, como uma vigília noturna.

“Há sete anos havia aqui um SU básico e foi prometido ocupar o espaço com algo importante para a população. Este Centro de Hemodiálise é uma unidade de excelência”, disse Fernando Araújo.

Já José Manuel Ribeiro, elogiando a instalação do Centro de Hemodiálise, admitiu que continua “contra a opção de fechar o SU de Valongo”, mas, disse, “cumpriu-se o prometido com um serviço diferenciador para o território”.

Por fim, ao encerrar a cerimónia, Diogo Serras Lopes deixou um cumprimento especial aos profissionais de saúde.

“Se dúvida houvesse, este ano mostrou que são o pilar da saúde em Portugal”, referiu o governante.

LUSA

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