18 Mar, 2020

Exclusividade de médicos no SNS poderá pôr em risco doentes em hemodiálise

Grupo de clínicos avisa que a decisão impedirá a prestação de serviços essenciais à sobrevivência de uma percentagem significativa de cidadãos.

Num comunicado enviado à Lusa, na sequência das medidas anunciadas para combater o novo coronavírus, o internista Paulo Bettencourt (professor da Faculdade de Medicina do Porto), o nefrologista Mário Silva Oliveira e a médica Conceição Castro, (ambos do Centro de Hemodiálise São João da Madeira) apelam a que sejam adotadas “as medidas necessárias para evitar este risco, o qual, por si só, poderá aumentar consideravelmente a letalidade e morbilidade associada, ainda que indiretamente, à atual pandemia”.

Se os centros de hemodiálise privados forem impedidos de contar com os serviços de profissionais que também trabalham no Serviço Nacional de Saúde (SNS), por via de uma exclusividade obrigatória resultante das medidas implementadas para responder à pandemia do novo coronavírus, muitos doentes com insuficiência renal crónica deixarão de poder ser submetidos a um tratamento essencial à sua sobrevivência – a hemodiálise crónica”, alertam.

Os subscritores do documento referem que em Portugal existem atualmente 124 unidades de hemodiálise em ambulatório, que asseguram o tratamento, bem como cuidados de saúde primários, a cerca de 12.000 doentes.

“Foi amplamente divulgado o esforço para colmatar as falhas que todos pressentimos, a preocupação de criar condições adequadas à batalha contra um fenómeno duma dimensão nunca enfrentada nos últimos 100 anos, quer com a aquisição de ventiladores suplementares, a criação de hospitais de campanha, a convocação, em exclusivo, de todos os profissionais de saúde, sendo até salvaguardada a eventual necessidade de atribuição de horas extraordinárias bem para além dos atuais limites legais”, sublinham.

Contudo, acrescentam, “também todos temos consciência de que, por opções do passado, há setores da saúde essenciais à sobrevivência dos doentes que são, de momento, prestados quase exclusivamente pelo setor privado”.

Segundo os especialistas, “estes últimos laboram com recurso a profissionais que também desempenham funções no SNS. A decisão de impor a exclusividade no SNS a estes profissionais impedirá a prestação de variados tipos de serviços essenciais à sobrevivência de uma percentagem significativa de cidadão portugueses, em particular os que padecem de doenças crónicas. Está neste caso a Doença Renal Crónica e a terapêutica de substituição da função renal por hemodiálise”.

SO/LUSA

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