7 Fev, 2018

Reino Unido dá luz verde aos primeiros bebés com três pais

Técnica substitui células doentes por outras saudáveis e pode ajudar a travar doenças passadas de geração em geração

Passados dois anos sobre as alterações à lei da fertilidade, aprovadas pelo governo, o Reino Unido está a preparar-se para ver nascer os primeiros dois bebés que juntam material genético de três pessoas diferentes.

A BBC avança que Autoridade de Fertilização Humana e Embriologia (HFEA), a autoridade reguladora (o equivalente ao nosso Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida), deu autorização aos médicos para que estes avancem com o procedimento médico em duas mulheres com doenças mitocondriais. A nova técnica tem o objetivo de evitar que os bebés herdem doenças genéticas graves.

A técnica, considerada uma forma avançada de fertilização in vitro, usa um método de reposição mitocondrial. Em laboratório, procede-se à substituição de uma pequena quantidade de células de ADN de um óvulo que contêm material genético defeituoso pelo ADN saudável de outra mulher. Assim, o bebé terá genes provenientes de um pai e duas mães. No entanto, tudo o que define traços físicos e personalidade virá da informação genética dos pais.

Nestes dois casos, que agora reuniram as autorizações necessárias para avançarem, no Reino Unido, as mulheres em causa sofrem de epilepsia mioclónica com fibras rotas vermelhas, também conhecida como síndrome MERRF, uma doença genética que provoca alterações no metabolismo energético celular.

Esta técnica, que se espera possa gerar mais de 100 bebés por ano no país, poderia ajudar a erradicar doenças genéticas herdadas ao longo de gerações em determinadas famílias, como a diabetes, cegueira, demência, problemas cardiovasculares, gástricos e neurológicos. Transmitidas pela mãe aos filhos, as doenças mitocondriais não têm cura e afetam uma em cada 6.500 crianças.

O primeiro bebé filho de três pais nasceu em 2016, no México.

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