25 Jan, 2018

Reabertura da urgência hospitalar de Espinho levada amanhã ao Parlamento

Quatro partidos propõem sexta-feira, no Parlamento, a reabertura ou reconfiguração do Serviço de Urgência Básica (SUB) do Hospital Nossa Senhora da Ajuda, em Espinho, na sequência de uma petição assinada por quase 10.000 utentes daquela unidade.

Nos seus projetos de resolução, BE, PEV e PCP reivindicam a reativação da Urgência enquanto o PSD propõe a criação de um Serviço de Atendimento Permanente (SAP), mas todos concordam que o encerramento do SUB de Espinho em 2007 prejudicou a população do concelho e também a das freguesias contíguos nos municípios de Santa Maria da Feira, Ovar e Gaia, na zona norte do distrito de Aveiro.

O Hospital Nossa Senhora da Ajuda é atualmente uma extensão de um centro hospitalar sediado em Vila Nova de Gaia, onde também se localiza o serviço de urgência comum.

Para o BE, dez anos após o encerramento do SUB do Hospital de Espinho “é possível concluir que a medida foi “um erro que pode e deve ser corrigido agora: sobrecarregou as urgências do Hospital de Gaia e esta situação é completamente irracional porque os utentes com casos menos urgentes estão a ser obrigados a deslocar-se para uma unidade com cuidados muito diferenciados, onde os tempos de espera se revelarão maiores”.

Outro fator demonstrativo de quanto a medida prejudicou os utentes de Espinho e arredores é o custo da viagem até ao Hospital de Gaia, que, mesmo pela via mais prática do recurso, a viatura própria, envolve atualmente o pagamento de portagens, quando até 2010 as principais estradas de acesso a essa unidade ainda eram de circulação livre.

Aspeto também criticado pelo BE é a substituição do SUB de Espinho por uma ambulância do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM). No mesmo sentido, o Partido Ecologista “Os Verdes” considera que uma e outra coisa não são equiparáveis, constituindo apenas um mecanismo “para tentar silenciar as populações”.

“O INEM tem reduzido sucessivamente o período do serviço, com a pretensão de retirar a AEM, que hoje apenas é assegurada por técnicos [do instituto] entre as 8:00 e as 16:00, sendo o restante horário assegurado pelos bombeiros”, realçam os ecologistas.

Afirmando que a decisão de encerrar o SUB de Espinho foi “orientada por critérios meramente economicistas” e resultou no congestionamento da Urgência de Gaia, fazendo dela “um serviço caótico” nas alturas de maior afluência, o Partido Ecologista “Os Verdes” garante que o Hospital de Espinho reúne “todas as condições ao nível das infraestruturas e equipamento” para retomar o funcionamento desse serviço – “à exceção dos recursos humanos”, que o partido quer ver reforçados.

O PCP tem a mesma opinião: “O Hospital de Espinho tem condições físicas para que o Serviço de Urgência possa ser reaberto – possui infraestrutura montada, equipada e com disponibilidade”.

Os comunistas realçam que a reativação dessa valência será particularmente útil tendo em conta que, embora os utentes de Espinho sejam apenas cerca de 30.000, essa população “quase duplica nos meses de verão devido ao período de férias e época balnear” e ultrapassará mesmo os 106.000 utilizadores quando se consideram as freguesias mais próximas de Gaia, Feira e Ovar.

O PSD também apresenta sexta-feira no Parlamento um projeto de resolução sobre o Hospital de Espinho, mas reclama em concreto “a criação de um SAP”, alegando “compreender que a necessidade de existência de um serviço de urgência devidamente apetrechado e equipado não se coadune facilmente com uma grande dispersão geográfica”.

Contudo, acrescentam os sociais-democratas, “o encerramento do SUB de Espinho deveria ser compensado com um reforço de outro tipo de resposta, nomeadamente da consulta aberta nos Centros de Saúde e Unidades de Saúde Familiar, que permitisse o atendimento de casos menos urgentes, aliviando o já muito concorrido serviço de urgência do Hospital Santos Silva [de Gaia]”.

O PSD defende ainda que é “absolutamente indispensável relocalizar o pórtico da autoestrada A29”, que se encontra em Gulpilhares, Gaia, “de forma a permitir que o acesso rodoviário por aquela via ao Hospital Santos Silva se efetue sem que haja lugar ao pagamento de portagem”.

LUSA/SO

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