Projeto sobre agressividade dos cuidados a doentes oncológicos em fim de vida vence prémio da OM

Diogo Martins Branco recebeu o primeiro prémio da iniciativa da Ordem dos Médicos que procura distinguir trabalhos de investigação clínica em Portugal.

Um projeto sobre a agressividade dos cuidados oferecidos a doentes oncológicos na fase final de vida foi o primeiro premiado do Prémio Professor Jorge da Silva Horta, uma iniciativa da Ordem dos Médicos (OM) que visa reconhecer trabalhos de investigação clínica de profissionais portugueses que sejam primeiros autores de um artigo original publicado ou aceite para publicação.

Factor associated with the aggressiveness of care at the end of life for cancer patients dying in the hospital: a nationwide retrospective cohort study in mainland Portugal é um trabalho cujo principal objetivo “era avaliar ou descrever a agressividade dos cuidados dos doentes oncológicos em fim de vida em Portugal”, explicou, ao Saúde Online, o autor do estudo, Diogo Martins Branco.

“A maior parte dos portugueses morre no hospital, segundo as nossas projeções mais de 70% dentro de poucos anos, outros 70% não têm acesso a cuidados paliativos” e “sabemos que a população de doentes oncológicos é mais vulnerável ou mais suscetível a receber cuidados mais agressivos em contexto hospitalar”, referiu. “O que nós queríamos era, precisamente, perceber em Portugal qual é que é a proporção de doentes que morrem no hospital com uma doença oncológica que sejam expostos a cuidados considerados agressivos e analisar o impacto da existência de cuidados paliativos a nível hospitalar na redução dessa agressividade”.

Segundo acrescentou, o estudo, “ao identificar essa agressividade em 70% dos doentes oncológicos que morre num hospital público, procurou também diagnosticar fatores de risco que determinem quais os doentes, quais as condições e os cenários em que há maior risco para receber essa agressividade”.

Quando questionado sobre os desafios relativos à construção do projeto, Diogo Martins Branco ressaltou que a principal preocupação foi que “este estudo fosse o mais representativo possível da realidade nacional”. Neste sentido, a primeira grande dificuldade “foi escolher a fonte dos dados, para garantir uma fotografia de todo o país e que a resolução da câmara fotográfica fosse boa”.

“Envolver as várias instituições” também foi uma tarefa que exigiu coordenação por parte da equipa de investigação. Ainda assim, “obtivemos uma excelente taxa de resposta de 78% das instituições públicas nacionais, e os três centros oncológicos – IPO de Lisboa, de Coimbra e do Porto – participaram ativamente no estudo com aconselhamento científico e com autoria também”. “As duas principais escolas de saúde pública, a Escola Nacional de Saúde Pública, em Lisboa, e o Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto também foram coautores”.

Ainda assim, após a tarefa de construção do trabalho, o vencedor salienta que “é uma grande satisfação que tenha sido feito este reconhecimento ao seu trabalho entre um grupo bastante vasto de projetos submetidos”. “Obviamente que é também de saudar a Ordem por esta iniciativa”.

SO

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