A quantia adicional é uma “forma de agradecer” ao setor de saúde “pelo esforço adicional” feito durante o estado de emergência da pandemia, já que o trabalho tinha de ser feito “dia e noite” e muitos profissionais tiveram de fazer “turnos duplos” durante os últimos meses.

“Foi um momento sem precedentes”, afirmou o ministro Hugo De Jonge.

O bónus destina-se a enfermeiros, prestadores de cuidados, trabalhadores de ambulâncias e todos os profissionais de apoio de todos os setores dos cuidados médicos, que experimentaram, direta ou indiretamente, os efeitos da crise do coronavírus.

Este grupo, ao contrário dos médicos, tem vindo a queixar-se de ter salários baixos.

No início da pandemia, em março passado, o parlamento holandês pediu ao Governo que desse um bónus aos trabalhadores do setor da saúde pelo trabalho que estavam a fazer e o executivo prometeu estudar o pedido quando a situação estivesse sob controlo.

O ministro da Saúde especificou que o bónus será creditado na conta dos beneficiários durante o próximo outono e estimou que o valor extra deverá ser dado a cerca de 800.000 profissionais, o que implica o desembolso de 800 milhões de euros do orçamento daquele ministério.

Os partidos da oposição ainda defenderam recompensas estruturais, como aumentos salariais, para os trabalhadores da saúde, mas a proposta foi rejeitada pelo parlamento.

“Todos os anos garantimos que os salários dos trabalhadores da saúde estão equiparados aos do resto do mercado”, explicou de Jonge.

Num estudo publicado na terça-feira pelo sindicato de enfermeiros e cuidadores UN’91, 39% dos profissionais de saúde questionados disseram estar a pensar deixar a profissão devido à “falta de apreciação” e pediram para “serem ouvidos”, “serem levados a sério” e passarem a “participar nas decisões sobre a sua profissão”.

“No início da crise do novo coronavírus, [estes profissionais] foram rotulados como heróis da saúde. Foram aplaudidos por multidões, incluindo pelos políticos, mas agora deixaram de sentir esse apreço”, disse a presidente do sindicato, Stella Salden.

SO/LUSA

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