28 Mai, 2021

Peritos defendem manutenção da matriz de risco das “linhas vermelhas”

Grupo de peritos sustenta que a incidência de casos de contágio é o indicador mais sensível para a progressão da pandemia.

O grupo de peritos que aconselha o Governo sobre a epidemia da covid-19 defendeu hoje que deve manter-se a matriz de risco das “linhas vermelhas” de avaliação da incidência acumulada de casos e de índice de transmissibilidade (Rt).

“O grupo de peritos propõe manter a atual matriz de risco”, afirmou a especialista Andreia Leite, da Escola de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa, na reunião periódica de análise da situação epidemiológica do país, que junta no Infarmed, em Lisboa, especialistas, membros do Governo e o Presidente da República, sustentando que a incidência de casos de contágio é o indicador mais sensível para a progressão da pandemia.

Andreia Leite indicou que a incidência “traduz menor probabilidade de transmissão e menor probabilidade de aparecimento de variantes” e é “o indicador precoce que permite atuar adequadamente e atempadamente.

Permite também perceber se ao levantar medidas de restrição há “recrudescimento da transmissão e identificar se existe alguma alteração das características do vírus ou da resposta das vacinas a novas variantes”, frisou.

Falando em nome de uma equipa que inclui investigadores de várias instituições, como o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, Direção-Geral da Saúde e faculdades de ciências de Lisboa e Porto, defendeu ainda que se deve “adicionar a monitorização da efetividade das vacinas” aos indicadores a ter em conta.

“A vacinação deverá contribuir para manter valores controlados de infeção, logo não se justifica [a modificação da matriz de risco]”, considera a equipa.

“A matriz permite dar o alerta e os outros indicadores [mortalidade, variantes de preocupação ou proporção de vacinados] devem ser considerados numa avaliação de risco mais detalhada” para decidir medidas, mas numa fase subsequente, defendem os peritos.

A equipa teve em conta os critérios internacionais de reconhecimento de risco adotados por outros países europeus, cujo exemplo serviu para fazer a matriz de risco adotada em Portugal.

Andreia Leite apontou ainda que o modelo das “linhas vermelhas”, adotado em março deste ano para o início da fase de desconfinamento, “já é conhecido de todos” e salientou a importância de manter “uma comunicação estável e clara”.

LUSA

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