3 Ago, 2021

Pandemia. Redução de transplantes é “resultado da suspensão da atividade não urgente”

No âmbito do Dia do Transplante, assinalado a 20 de julho, a presidente da Sociedade Portuguesa de Transplantação, Susana Sampaio, reforçou, em entrevista ao Saúde Online, o impacto da pandemia na realização de transplantes e salientou o papel da SPT junto dos profissionais de saúde ligados a esta área.

Quantos transplantes são feitos, em média, anualmente, em Portugal e qual é o tipo de transplante mais comum?

Em Portugal, excluindo o ano de 2020 – que foi, como se sabe, muito diferente dos restantes anos – realizam-se em média cerca de 780 transplantes por ano. Relativamente ao órgão mais transplantado, a nível nacional e mundial, é o rim. Este facto deve-se à prevalência da doença renal crónica (DRC) ser maior face a outras doenças de outros órgãos é maior e porque cada dador (falecido), se não houver contraindicação, pode doar dois rins, o que geralmente não acontece com outro tipo de órgãos.

Qual foi o impacto da pandemia na realização de transplantes?

A pandemia teve impacto na redução do número de transplantes, resultado da suspensão da atividade não urgente nos períodos mais críticos, provocando não só um atraso na realização de exames e consultas necessárias ao estudo dos potenciais recetores para transplante, como também na sua inclusão em Lista Ativa. Verificou-se ainda atraso no estudo de potenciais dadores vivos e na realização deste tipo de cirurgias.

Por outro lado, houve necessidade de adaptação da atividade de seguimento dos doentes transplantados com implementação de consultas não presenciais, criação de circuitos próprios no interior dos hospitais e de fornecimento de terapêutica imunossupressora.

Apesar da necessidade de rapidamente se instituírem novos procedimentos, as instituições hospitalares conseguiram, num curto período de tempo, adaptar-se e dar resposta aos desafios apresentados.

Quais são os desafios comummente encontrados na área da transplantação?

Um dos grandes desafios para a transplantação é a escassez de órgãos. Não existe nenhum país no mundo que consiga realizar o número de transplantes necessários para responder às necessidades dos doentes em lista de espera. Conseguir aumentar o número de dadores e melhorar as técnicas de preservação dos órgãos são fatores essenciais para o incremento no número de transplantes.

Outro grande desafio é conseguir evitar a rejeição. Atualmente, existem vários fármacos que conseguiram reduzir e tratar os episódios de rejeição aguda. No entanto, a longo prazo é difícil evitar a rejeição crónica e os efeitos da imunossupressão (infeções e neoplasias).

Qual é o papel da Sociedade Portuguesa de Transplantação (SPT) nesta área?

A SPT, fundada em 1987, é uma sociedade sem fins lucrativos que pretende congregar os diversos profissionais das ciências da saúde ligadas à atividade da transplantação em Portugal. A sua atuação faz-se através da promoção da investigação científica e da formação na área da transplantação em Portugal, do estabelecimento de colaboração com associações e sociedades congéneres noutros países.

Os seus principais objetivos são essencialmente a divulgação científica na área da transplantação quer de especialistas, quer de internos de formação específica. Para atingir este objetivo, tem um papel importante na realização de congressos, reuniões científicas e cursos de formação, assim como fornecer o seu patrocínio científico em múltiplos eventos científicos. A SPT considera que deve ter um papel preponderante no incentivo à investigação científica. Para isso, atribui anualmente uma bolsa de investigação e um prémio à publicação na área da transplantação.

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