Pais das crianças do São João rejeitam transferência da ala oncológica pediátrica e vão avançar para tribunal

Pais alertam que deslocalização do serviço seria uma "péssima solução", já que iria obrigar as crianças a fazerem longas viagens. O ministério da saúde diz que o cenário de transferência da ala pediátrica oncológica para o IPO do Porto ou para o Centro Materno-Infantil do Norte é "infundado" mas, ainda assim, irá dar entrada uma ação judicial para o impedir a mudança.

Há um movimento composto por vários pais de crianças que estão a receber tratamentos oncológicos no Hospital de São João, no Porto, que rejeita qualquer tentativa de deslocalizar os serviços que são atualmente prestados na precária ala oncológica pediátrica do hospital para outras unidades de saúde da região.

Jorge Pires, que lidera este movimento informal de pais, disse ao jornal Expresso que a mudança é uma “péssima solução”, uma vez que iria obrigar as crianças a mais viagens de ambulância para outras unidades da zona norte do país – atualmente as crianças internadas só saem da ala pediátrica para ir até ao edifício central do São João fazerem análises e exames ou para serem internadas na unidade de cuidados intensivos.

Apesar de estes pais reconhecerem, e terem já denunciado, a falta de condições dos contentores onde está instalada a ala oncológica pediátrica do hospital, Jorge Pires adianta que este grupo de pais vai intentar, nos próximos dias, uma ação judicial contra o estado no Tribunal Administrativo do Porto. Na base desta decisão estão informações, que circulam entre os profissionais do hospital, de que o governo poderá transferir o serviço oncológico pediátrico para o Instituto Português de Oncologia do Porto (IPO)e para o Centro Materno Infantil do Norte (CMIN) até a nova ala ser construída (o que, segundo, o ministro da Saúde poderá acontecer apenas dentro de dois anos).

O receio de que a transferência de serviços possa vir a concretizar-se aumentou depois de o Ministério das Finanças se ter reunido, há duas semanas, com as administrações do IPO do Porto e do Centro Hospitalar de Santo António, a que pertence o CMIN, sem a presença de Adalberto Campos Fernandes.

No entanto, o Ministério da Saúde garante que a hipótese de deslocalizar os serviços em causa é “totalmente infundada”. Ao Expresso, o gabinete do ministro da Saúde disse que o “processo de decisão está a ser finalizado” apesar de não adiantar qualquer explicação para a derrapagem no prazo em que deveria ter sido dado o aval – e a verba necessária – para a construção do edifício que irá albergar a nova ala pediátrica, que já deveria estar contruída há dez anos.

No entanto, o facto de a janela temporal dada pelo ministro da saúde para serem desbloqueados os 23 milhões de euros necessários para as obras – apontava para o final de abril – já ter sido largamente ultrapassada só vem aumentar o receio de familiares e corpo clínico de que o inicio da construção seja de novo adiado e, como consequência, surja a decisão de deslocalizar o serviço para o IPO ou para o CMIN.

A oncologista pediátrica Maria João Gil da Costa, que trabalha no São João há mais de 30 anos, alerta que a mudança seria um enorme passo atrás no que diz respeito às práticas recomendadas internacionalmente para a área da oncologia pediátrica, uma vez que os doentes “precisam de uma ambiência multidisciplinar pediátrica, onde se incluem cirurgiões pediátricos e neurocirurgiões em permanência, cuidados intensivos, bem como todas as outras valências pediátricas”, explica a médica ao Expresso.

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