16 Nov, 2020

Ordem dos Médicos alerta governo para “problemas graves” nos centros de saúde

Ordem pede que agenda dos médicos de família não continue a estar “totalmente tomada" pela Covid-19. Doentes crónicos merecem preocupação.

A Ordem dos Médicos (OM) alertou o governo para “problemas graves nos centros de saúde” por a mobilização de médicos para o combate à pandemia de covid-19 deixar sem resposta os restantes doentes.

“A Ordem dos Médicos afirmou o papel determinante dos médicos de família no sucesso no acompanhamento dos doentes com Covid-19, merecedor de grande apreço e reconhecimento de todos”, refere a ordem em comunicado divulgado depois de uma reunião, que tinha sido pedida à ministra da Saúde mas decorreu com o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, a quem a OM apelou para uma rápida revisão da estratégia que tem vindo a ser seguida.

O bastonário dos médicos, Miguel Guimarães, pediu ao Ministério da Saúde para encontrar outras alternativas para que a agenda dos médicos de família – “já antes sobrecarregada com 1.900 doentes” – não continue a estar “totalmente tomada pelo Trace-Covid, Áreas Dedicadas para Doentes Respiratórios e App StayAway Covid”.

No entendimento da Ordem dos Médicos, “os números conhecidos do excesso de mortalidade reforçam a necessidade de se voltarem a acompanhar os doentes crónicos e a apostar na promoção da saúde e prevenção da doença”.

 

Previstos menos 200 mil atendimentos em 2021

 

No encontro, a Ordem dos Médicos mostrou-se também preocupada com as previsões da tutela para 2021, “com menos quatro milhões de consultas médicas presenciais e menos 64.000 ao domicílio”, em relação a 2019. “Mesmo em consulta aberta, vão ser feitos quase menos 200.000 atendimentos”, alerta ainda a OM no comunicado.

Já no final de Outubro o Colégio da Especialidade de Medicina Geral e Familiar da OM tinha exigido a aplicação de um conjunto de dez medidas nos Cuidados de Saúde Primários, entre as quais orientar os serviços tendo em conta as prioridades da população, “garantindo respostas assistenciais efetivas aos problemas de Saúde não Covid-19”.

Também se pedem mecanismos de acessibilidade efetiva às Unidades de Saúde, a contratação de profissionais para “alocação específica às ADR-C e/ou seguimento de doentes Covid-19”, a modificação da plataforma Trace-Covid, entre outros.

SO/LUSA

 

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