8 Jul, 2026

Oncologistas e imunoalergologistas estabelecem parceria para dar resposta a reações de alergia a fármacos antineoplásicos

No âmbito do Dia Mundial da Alergia, assinalado hoje, oncologistas e imunoalergologistas destacam as alergias a fármacos antineoplásicos e como é importante garantir que um número crescente de doentes possa beneficiar dos tratamentos mais eficazes com elevados padrões de segurança.

Oncologistas e imunoalergologistas estabelecem parceria para dar resposta a reações de alergia a fármacos antineoplásicos

As reações de alergia a fármacos antineoplásicos, embora imprevisíveis, têm vindo a aumentar em incidência devido à introdução de novas opções terapêuticas, ao aumento da sobrevivência dos doentes e à maior prevalência de comorbilidades associadas.  As reações alérgicas incluem manifestações cutâneas ligeiras e quadros sistémicos graves, potencialmente fatais, como a anafilaxia.

Com o objetivo de reforçar a segurança dos doentes e assegurar a continuidade dos tratamentos oncológicos, a Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO) e a Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC) estabeleceram uma parceria para promover a formação contínua e a estreita articulação entre oncologistas e imunoalergologistas.

“Nenhum doente deve deixar de receber o tratamento por uma reação de hipersensibilidade quando existem estratégias que permitem continuar a terapêutica em segurança. É por isso que esta parceria com a SPAIC é tão relevante: reforça a colaboração entre especialidades, promove a implementação de protocolos comuns e contribui para que mais doentes tenham acesso aos tratamentos mais eficazes com elevados padrões de segurança”, declara o presidente da SPO, Nuno Bonito.

Para o presidente da SPAIC, Pedro Carreiro Martins, “a dessensibilização a fármacos antineoplásicos é hoje um procedimento bem estabelecido, que permite que doentes com reações de hipersensibilidade voltem a receber o tratamento de que realmente precisam, em vez de recorrerem a alternativas menos eficazes”.

Como acrescenta: “Esta colaboração com a SPO contribuirá para que estes doentes sejam identificados e referenciados atempadamente à Imunoalergologia, o que fará toda a diferença no seu percurso terapêutico.”

Esta parceria visa fomentar uma abordagem multidisciplinar estruturada das reações de hipersensibilidade a fármacos antineoplásicos, promovendo circuitos de referenciação, discussão clínica conjunta e partilha de boas práticas entre equipas de Oncologia e Imunoalergologia.

Nessa linha, a SPO e a SPAIC irão promover um workshop dedicado à abordagem das reações de hipersensibilidade em Oncologia, incluindo os fundamentos dos procedimentos de dessensibilização medicamentosa, uma técnica que permite induzir uma tolerância temporária ao fármaco responsável pela reação de hipersensibilidade. “Esta abordagem permite que doentes que sofreram reações mantenham os seus tratamentos em segurança, evitando a substituição por fármacos menos adequados e assegurando a continuidade da terapêutica sempre que clinicamente possível.”

A colaboração entre as duas sociedades científicas visa ainda harmonizar práticas clínicas, fomentar a partilha de conhecimento e reforçar a capacitação dos profissionais na prevenção, diagnóstico e tratamento das reações de hipersensibilidade em Oncologia, promovendo uma resposta multidisciplinar, integrada e centrada no doente.

Maria João Garcia

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Mesmo que a toma do fármaco seja feita há vários anos, este pode ser a causa de um episódio de anafilaxia”

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