O que sabem os portugueses sobre cuidados paliativos?

A Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP), em parceria com as Farmácias Holon, Universidade Católica Portuguesa e o Observatório Português dos Cuidados Paliativos (OPCP), promoveu um estudo de perceção sobre os cuidados paliativos em Portugal.

O Estudo “Cuidados Paliativos: o que sabem os portugueses” foi apresentado e discutido no Seminário “Vida com Dignidade e Qualidade até ao Fim”, e contou com a intervenção do Presidente da República, este sábado, na Fundação Calouste Gulbenkian, perante quase 300 cidadãos.

A APCP e o OPCP, beneficiando de uma parceria de colaboração com as Farmácias Holon, pretenderam com esta pesquisa conhecer a realidade portuguesa face ao desenvolvimento e proliferação dos cuidados paliativos no nosso país, nos últimos 10 anos. Através dos resultados obtidos podemos concluir que existe um bom conhecimento acerca do conceito, mas menor nos objetivos e forma de trabalho dos cuidados paliativos, e existem também fatores que continuam a condicionar, de forma grave, a disparidade deste conhecimento.

“Estamos perante uma total mudança de paradigma. As pessoas sabem o que são estes cuidados e que têm direito a usufruir deles sendo por isso expectável que os exijam junto dos profissionais de saúde e, acima de tudo, que exijam uma maior resposta por parte do nosso Serviço Nacional de Saúde”, explica Manuel Luís Capelas, presidente da APCP.

Principais conclusões do Estudo

  • Mais de 90% dos inquiridos sabem o que são os cuidados paliativos, contudo 6,6% associa o conceito ao atraso ou adiamento da morte;
  • 64,9% referem que nunca tiveram qualquer contacto com equipas de cuidados paliativos embora já tivessem ouvido falar destas equipas, 6,7% nunca ouviram falar destas equipas;
  • Apenas 75% dos cidadão identifica corretamente os objetivos dos cuidados paliativos, apesar de 90% afirmarem saber o que são estes cuidados;
  • Mais de 80% dos inquiridos gostariam de usufruir destes cuidados, caso necessitassem;
  • A palavra “bem-estar” é associada por 50% das pessoas e “tranquilidade” por 49,2%;
  • A palavra “cancro” continua a ser relacionada com os cuidados paliativos (36,9%);
  • A escolaridade, rendimento, idade e local de residência continuam a influenciar o nível de conhecimento destes cuidados.

“Apesar destes resultados serem favoráveis e tendo em conta todos os fatores influentes, importa reforçar o processo de disseminação dos conceitos-chave dos cuidados paliativos junto da sociedade portuguesa, através de campanhas e ações de formação, visto em alguns setores os resultados obtidos apontarem para défices importantes”, conclui Manuel Luís Capelas.

SO/SF

 

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