29 Ago, 2018

Ministros da Saúde africanos comprometem-se a acabar com surtos de cólera até 2030

Os ministros da Saúde de África comprometeram-se a implementar estratégias-chave para acabar com os surtos de cólera na região africana até 2030, anunciou hoje a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A posição foi divulgada na 68.ª sessão do Comité Regional da OMS para a África, realizada em Dakar, Senegal, com o diretor regional daquela agência das Nações Unidas, Matshidiso Moeti, a sublinhar que “a cólera é um símbolo de desigualdade”.

“É uma doença antiga, que foi eliminada em várias partes do mundo. Toda a morte por cólera é evitável. Nós temos o conhecimento e hoje os países demonstraram que têm a vontade de fazer o que for necessário para acabar com os surtos de cólera até 2030″, explicou.

Na 68.ª sessão do comité, 47 países africanos adotaram o Quadro Regional para a Implementação da Estratégia Global de Prevenção e Controlo da Cólera.

Ao adotar este plano, os países comprometem-se a reduzir em 90% a magnitude dos surtos de cólera, nomeadamente entre populações vulneráveis e em crises humanitárias.

Os países concordam ainda em tomar ações baseadas em evidências, que incluem o reforço da vigilância epidemiológica e laboratorial, o mapeamento de pontos crucias de cólera, a melhoria do acesso ao tratamento oportuno, o fortalecimento da vigilância transfronteiriça, a promoção do envolvimento da comunidade e o uso da Vacina Oral contra a Cólera (OCV), assim como o aumento de investimentos em água potável e saneamento para as comunidades mais vulneráveis.

“A OMS está a trabalhar de mãos dadas com os países, fornecendo conhecimentos técnicos e orientação”, sublinhou Matshidiso Moeti. O diretor regional para África da OMS referiu que a vacina oral contra a cólera “demonstrou ser altamente eficaz” e que aquela agência “facilitou a vacinação de milhões de pessoas em toda a África”. “Devemos continuar a expandir o uso dessa nova estratégia”, salientou.

Em 2017, foram registados em 17 países africanos mais de 150.000 casos de cólera, incluindo mais de 3.000 mortes. No ano seguinte registou-se um aumento nos casos de cólera em todo o continente africano, com oito países atualmente a lidar com surtos da doença.

A região é vulnerável à cólera por inúmeras razões. Desde logo, 92 milhões de pessoas em África ainda bebem água de fontes inseguras, nas áreas rurais, a água canalizada muitas vezes não está disponível e as pessoas praticam a defecação a céu aberto. Crises humanitárias, mudanças climáticas, rápida urbanização e crescimento populacional estão também a aumentar o risco de disseminação da cólera.

De 2013 a 2017, a OMS apoiou 65 campanhas de vacinação contra a cólera e forneceu mais de 16 milhões de doses de vacinas a 18 países em todo o mundo, incluindo 11 em África. Muitos dos fatores de risco para a cólera, como saneamento precário e urbanização rápida, estão fora do setor da saúde e, como tal, a OMS está a trabalhar com uma coligação de parceiros internacionais para envolver todos os setores relevantes e construir uma resposta abrangente e sustentável em toda o continente.

LUSA

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