9 Set, 2021

Manuel Carmo Gomes: “É preciso desenfatizar os óbitos” por covid-19

Especialistas defendem que a sociedade deve ir retirando o foco dos números de casos e óbitos, uma vez que estamos "a transitar para uma nova normalidade".

Portugal continua a registar, todos os dias, pelo menos uma dezena de óbitos por covid-19 e não é expectável, segundo os especialistas, que esse número se reduza para zero. O importante, dizem, é ir retirando o foco dos números que revestem a pandemia, tanto no que diz respeito aos óbitos como às infeções diárias, de modo a normalizar a convivência da sociedade com o vírus e com da doença provocada pela infeção por SARS-CoV-2.

É preciso desenfatizar os óbitos. Não é esperado que passem continuamente a zero. Só a longo prazo será possível controlar signi­ficativamente o vírus a nível mundial. Mas, apesar disso, vamos conseguir normalizar a nossa vida”, diz Manuel Carmo Gomes, epidemiologista e professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, em declarações ao jornal Expresso.

Portugal regista esta quinta-feira, 9 de setembro, 16,03 óbitos por milhão de habitantes em 14 dias, abaixo da nova linha de referência do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) — atualizada para 20 óbitos por milhão de habitantes. A taxa tem vindo a cair. Ainda assim, o valor pode ser considerado elevado quando comparado com outros países europeus como a Alemanha (4,5 óbitos por milhão de habitantes) ou Países Baixos (4,88). Já os países do sul da Europa até registam mais óbitos em proporção do que Portugal: Espanha (33,61), Grécia (46,83), França (22,77).

Já o presidente da Rede Europeia para a Prevenção e Promoção da Saúde na Medicina Geral e Familiar fala na necessidade de “começar a diluir a atenção na covid”. “Estamos muito focados nos números diários de casos e mortes, e precisamos de um olhar mais abrangente para outras causas de mortalidade e de pensar, por exemplo, nos problemas estruturais que todos os anos estão por trás do pico de mortalidade no inverno. Estamos a transitar para uma nova normalidade“, sublinha Carlos Martins.

SO

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