Mais de 13 mil pessoas pedem fim da contenção física de idosos em Portugal
Uma petição pública com mais de 13 mil assinaturas vai dar entrada no parlamento após as férias, apelando à proibição da contenção física de idosos em instituições e hospitais, prática considerada pelos subscritores como “arcaica” e atentatória da dignidade humana.

Mais de 13 mil pessoas subscreveram uma petição pública a pedir a proibição da contenção física de idosos em Portugal, alegando que a prática viola direitos fundamentais de liberdade, integridade física e dignidade. O documento deverá ser entregue no parlamento após as férias.
A petição, criada em 21 de junho de 2024 e que já recolheu 13.287 assinaturas, considera “urgente” reduzir estas práticas a zero e alerta para os riscos associados, como úlceras por pressão, atrofia muscular, lesões articulares, bem como impactos emocionais, comportamentais e cognitivos.
“Em Portugal, é recorrente encontrarmos idosos imobilizados em instituições de saúde e em Estruturas Residenciais para a Pessoa Idosa. Esta forma de violência banalizou-se de tal forma que muitos passaram a encará-la como necessária, deixando de questionar as alternativas”, refere o texto, citado pelo jornal Público.
A iniciativa é promovida pela enfermeira e bloguista Carmen Garcia, que recorda que em países como o Reino Unido e a Suécia o uso de contenções físicas foi fortemente regulamentado, enquanto Espanha se prepara para declarar 2025 como “ano de contenções zero”.
“É tempo de também Portugal dar o passo para a eliminação desta prática arcaica que atenta contra a dignidade da pessoa idosa”, defende a petição.
Os subscritores propõem que a contenção física só seja admitida em situações extremas, após esgotadas todas as alternativas, e sempre com registo obrigatório. Nos “raros casos” em que seja aplicada, deve existir prescrição por profissional de saúde, avaliações frequentes, registos horários da evolução e limitação máxima de 12 horas.
A petição defende ainda que todos os dispositivos utilizados sejam homologados, proibindo técnicas improvisadas com materiais inadequados, como lençóis.
Sublinhando que Portugal é o quarto país mais envelhecido do mundo, o documento alerta para a necessidade de colocar “a dignidade e os direitos dos mais velhos no topo das preocupações sociais”.
LUSA/SO
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