Sindicato critica exclusão dos técnicos na criação de novo curso de emergência pré-hospitalar
O Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar lamentou não ter sido ouvido na criação do novo curso superior para estes profissionais e questionou a legitimidade da assinatura do protocolo por parte da administração do INEM.

O Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH) criticou a forma como foi criado o novo Curso Técnico Superior Profissional (CTeSP) na área da Emergência Pré-Hospitalar, lamentando não ter sido envolvido nas negociações e questionando a legitimidade da assinatura do protocolo por parte do Conselho Diretivo do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).
Em declarações à Lusa, o presidente do STEPH, Rui Lázaro, reagiu ao protocolo celebrado entre o INEM, a Escola Superior de Saúde de Lisboa (ESSL) e a Associação Portuguesa da Emergência Pré-Hospitalar (APEPH), que prevê a criação do primeiro curso superior nesta área em Portugal. “Não deixa de ser curioso, e é de lamentar, que não ouçam as entidades representantes do setor, como nós”, afirmou.
O dirigente sindical recordou que o Conselho Diretivo do INEM se encontra atualmente em regime de gestão, na sequência da aprovação dos novos estatutos do instituto, levantando dúvidas sobre a validade do ato. “Se calhar nem tem autoridade legal para assinar isto estando em gestão”, questionou.
Segundo informação anteriormente divulgada pela ESSL, o curso deverá arrancar no ano letivo de 2027/2028, dependendo ainda do registo junto da Direção-Geral do Ensino Superior e da aprovação pelos órgãos da instituição.
Apesar de considerar positiva a criação de um curso superior para Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar, Rui Lázaro defendeu que a resposta chega demasiado tarde para as necessidades atuais do setor. “É pena que a projeção seja daqui a décadas”, afirmou.
O presidente do sindicato explicou que os CTeSP costumam ter entre 20 e 30 alunos por ano e que, mesmo que o calendário previsto seja cumprido, os primeiros profissionais só concluirão a formação dentro de cerca de três anos. “Há 20 mil parceiros para formar, entre bombeiros e Cruz Vermelha. São 100 anos. O mais rápido, que era o que estava a acontecer, era pegar nos seis meses da formação técnica TEPH e começar a dá-la aos parceiros. Era isto que estava em cima da mesa”, sustentou.
Rui Lázaro reconheceu que a Associação Portuguesa da Emergência Pré-Hospitalar tem experiência na formação de bombeiros e tripulantes de ambulância de socorro e transporte, mas questionou a sua preparação para participar na formação superior destes profissionais. “Não são especialistas de coisa nenhuma”, afirmou.
O dirigente acrescentou que a experiência na formação de cursos de curta duração não é suficiente para assegurar um curso superior de dois anos. “Alguém que é formador de cursos TAS de bombeiros, que são 200 horas, que é manifestamente pouco, isso não lhe dá currículo para ser professor de um curso de emergência médica de dois anos”, concluiu.
LUSA/SO
Notícia relacionada
Primeiro curso superior para Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar arranca em 2027







