5 Nov, 2021

Madeira vai ser a primeira região de Portugal a erradicar a hepatite C

“A situação da Madeira é inspiradora", diz o presidente da Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado. No entanto, alerta para a derrapagem das metas de erradicação a nível nacional.

A Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado (APEF) congratula a Região Autónoma da Madeira pelos excelentes resultados obtidos com o seu Programa de Eliminação de Hepatite C, que sugerem que esta será a primeira região de Portugal e, provavelmente, uma das primeiras da Europa, a erradicar o vírus da hepatite C. No entanto, o presidente da APEF, José Presa, deixa também uma mensagem ao poder político central, alertando para necessidade premente deste programa ser implementado e colocado em prática em todo o território nacional.

“A situação da Madeira é inspiradora e deve ser um exemplo. O Programa de Eliminação de Hepatite C, desenvolvido com base na implementação do Programa de Rastreio FOCUS, foi colocado em prática pelo interesse manifestado pela Secretaria Regional da Saúde da Madeira, ao projeto desenvolvido pelos profissionais de saúde que estão no terreno. O Governo central deve pôr os olhos nesta maneira de trabalhar e de abordar as situações”, afirma José Presa, no seguimento da cerimónia de apresentação de resultados do programa na Região Autónoma da Madeira.

Segundo refere, as previsões apontavam 2030 como o ano em que Portugal iria eliminar a hepatite C, porém foram alteradas para 2050. “Felizmente, temos a Madeira, que, muito antes de 2030, vai fazer o despiste de toda a população, curando e erradicando a doença.”

Durante a pandemia de covid-19 houve um decrescimento de cerca de 62% de casos tratados por hepatite C em Portugal, uma situação que vai tornar-se pesada nos próximos anos. Enquanto isso, na Madeira, durante a pandemia, o número de testes foi crescente, tendo alcançado resultados excelentes”, menciona.

Salientando: “O resto do país precisa de implementar vários Programas FOCUS, como o da Madeira, mas precisa de ter o poder político mais interessado e mais próximo dos profissionais de saúde, entendendo as suas necessidades e colocando menos obstáculos.”

Luís Jasmins, gastrenterologista e presidente da mesa da Assembleia-Geral da APEF, afirma que os resultados são o culminar de três anos de trabalho. “Desde que nos candidatámos ao Programa FOCUS, em 2018, – tendo desenvolvido, depois, o Programa de Eliminação de Hepatite C – que sempre tivemos apoio da Secretaria Regional da Saúde e Proteção Civil, nomeadamente do secretário, o Dr. Pedro Ramos. Podemos dizer que estes bons resultados são consequência também do apoio governamental.”

De acordo com Luís Jasmins, o primeiro ano do projeto foi, sobretudo, de implementação do programa. Contudo, nos últimos dois anos, mesmo em pandemia, foram realizados 16 mil rastreios, dos quais 700 foram positivos. Confirmaram-se 40 casos, que seguiram para consulta e tratamento da doença.

“O programa começou por uma fase de micro eliminação em populações de alta prevalência, passando depois para os diferentes serviços hospitalares e Serviço de urgência e, finalmente, foi estendido a todos os centros de saúde. Vamos conseguir cumprir a meta da Organização Mundial da Saúde, de eliminar a hepatite C até 2030. Aliás, acredito que o consigamos fazer antes”, afirma Luís Jasmins.

No âmbito da cerimónia de apresentação de resultados, a APEF lançou um novo desafio à Madeira: Que crie também um programa piloto para que a medicação para a hepatite C fique disponível nas farmácias de cada hospital, de forma que o doente a possa levantar aquando do diagnóstico. “Neste momento, os doentes esperam até 6 meses que a medicação chegue à farmácia do hospital, para poderem iniciar o tratamento. Creio que a Madeira vai aceitar o desafio e vai ser novamente um exemplo e uma inspiração para o resto do território”, termina José Presa.

O modelo de rastreio do programa FOCUS baseia-se na integração dos testes na prática clínica diária, utilizando as infraestruturas e o pessoal já existentes. Abrange os hospitais e centros de saúde. Caso a pessoa ainda não tenha sido rastreada, durante uma consulta, o médico recebe um alerta informático, que indica que o doente possui os critérios de integração no rastreio e que ainda não fez essa análise, e o próprio sistema informático processa o pedido do anticorpo. O enfermeiro, ao colher o sangue, informa verbalmente o doente. Desta forma, é feita apenas uma colheita.

A hepatite C é uma doença evitável, tratável e curável. As hepatites virais B e C afetam 325 milhões de pessoas em todo o mundo, causando 1,4 milhões de mortes por ano. Em Portugal existem cerca de 45 mil doentes com hepatite C não diagnosticados. Frequentemente, os doentes infetados pelo vírus da hepatite C não têm sintomas. Os tratamentos são simples, rápidos e sem custos para o doente.

COMUNICADO

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