9 Jul, 2018

Há hospitais que deixaram de dar dose unitária de medicamentos aos doentes por falta de pessoal

Bastonária dos Farmacêuticos denuncia situações em alguns serviços de hospitais públicos em que os doentes estão a receber as embalagens de medicamentos, em vez da dose certa.

A Ordem dos Farmacêuticos alerta que há hospitais públicos a deixar de dar medicamentos em dose unitária aos doentes por dificuldades de pessoal, lembrando que este método dá mais segurança e diminui erros. A bastonária dos Farmacêuticos, Ana Paula Martins, referiu que há “serviços em alguns hospitais” onde se deixou de distribuir a medicação por dose unitária, que é uma prática mais segura.

“É quase uma questão civilizacional (…). Nós temos neste momento serviços em hospitais onde não fazemos a dose unitária, onde entregamos [a medicação] em embalagens de medicamentos. Há muitos anos que não fazíamos isto. A dose unitária permite muito menos erros”, explicou Ana Paula Martins.

A dose unitária e individual permite reduzir o tempo de enfermagem dedicado à preparação da medicação, permite diminuir os riscos de contaminação do medicamento e os erros de administração.

A representante dos farmacêuticos recorda que todo o circuito do medicamento hospitalar exige “presença humana” e lembra que há défice de farmacêuticos nos hospitais no Serviço Nacional de Saúde (SNS), sobretudo nos últimos quatro ou cinco anos.

No final de junho, a bastonária tinha enviado uma carta ao Ministério da Saúde na qual anunciava que previa uma rutura de prestação de cuidados nos hospitais “como não há memória” a partir de julho, com a passagem às 35 horas a partir do início deste mês. A situação é tão grave, referia a carta, que “está posta em causa a segurança dos doentes”.

A Ordem indicava ainda que “a maioria dos serviços farmacêuticos hospitalares” reporta impactos da falta de pessoas na dispensa de medicamentos aos doentes, nomeadamente na distribuição em dose unitária.

LUSA

ler mais

RECENTES

ler mais