27 Jan, 2017

Doenças oncológicas podiam ser resolvidas rapidamente com aposta na prevenção

Segundo o diretor do Serviço de Urologia do Centro Hospitalar de Leiria. As doenças oncológicas poderiam ser evitadas ou tratadas precocemente se se apostasse mais fortemente na medicina preventiva

As doenças oncológicas poderiam ser evitadas ou tratadas precocemente se houvesse uma aposta na medicina preventiva, o que se traduziria numa poupança de milhões de euros

As doenças oncológicas poderiam ser evitadas ou tratadas precocemente se houvesse uma aposta na medicina preventiva, o que se traduziria numa poupança de milhões de euros, disse o diretor do Serviço de Urologia do Centro Hospitalar de Leiria.

Segundo o especialista, muitos cancros poderiam ser travados logo no seu início, através de tratamentos mais simples, poupando muito dinheiro ao Serviço Nacional de Saúde.

“Temos uma visão curta no que se refere à medicina. Vamos apostar na medicina preventiva, com menos custos, sem IPO [instituto português de oncologia] cheios, com doentes à espera de seis meses para cirurgia. Não é com tratamento curativo, que tem custos económicos e sofrimento enormes, que se poupa”, disse à agência Lusa.

José Garcia falava a propósito das I Jornadas de Urologia, que decorrem hoje no hospital de Santo André, em Leiria, como forma de “sentar à mesma mesa” médicos da medicina familiar e especialistas, “alterar mentalidades” e “alertar para o diagnóstico precoce”.

José Garcia alertou para a necessidade de recorrer aos meios complementares de diagnóstico existentes, como ecografias e análises de rotina, nomeadamente ao PSA, marcador que poderá indicar presença do cancro da próstata, que “saem mais barato do que os tratamentos oncológicos e fármacos são caríssimos”.

“Podemos intervir de imediato e eliminar qualquer ‘grãozinho’ que esteja a começar a crescer”, reforçou.

Considerando que o cancro da próstata é “uma praga”, José Garcia acusa os homens de “ignorantes”, pois “continuam a não quer saber porque é que há mais viúvas que os viúvos”, referindo-se à pouca adesão aos rastreios.

O médico alertou ainda quem tem fatores hereditários a ter uma “vigilância precoce” e considerou que o tabaco “é um dos piores inimigos”.

José Garcia revelou que as patologias do foro urológico estão presentes em todas fases etárias. Nas crianças são mais comuns a distrofia vesical, síndrome de barragem infra-vesical condicionada por valvas posteriores, refluxo vesico-uretérico e o escroto agudo (torção do testículo, cordão espermático).

A partir dos 16 anos até à idade adulta surgem as infeções do trato urinário, DST (doenças sexualmente transmissíveis) e litíases urinárias. A maior incidência do tumor do rim surge a partir dos 30 a 40 anos.

José Garcia frisou também que o avanço da medicina na área da urologia tem sido grande. “Antes, as pessoas perdiam um rim por causa de uma pedra. Nos anos 1990, o hospital de Leiria introduziu uma técnica a litotrícia intercorpórea. Continua a ser uma grande cirurgia, mas aproveitamos as vias naturais para fazer a intervenção, sem via aberta. Em 24 horas, a pessoa vai para casa”.

“Em 2000, avançámos para a cirurgia extracorpórea, através do choque laser. Não é preciso ir ao bloco, não anestesia. Dispensa recursos humanos, ocupação de camas do hospital e permite ao utente ir para casa pouco depois”, informou.

As intervenções são cada vez menos invasivas, “com um pós-operatório espetacular e internamento curto”.

“Temos vindo a crescer em Leiria e com muito orgulho. Leiria tem capacidade e condições para assumir estas intervenções”, rematou José Garcia.

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