Dermatovenereologia deve manter valências formativas na área das infeções sexualmente transmissíveis
No curso pós-evento sobre infeções sexualmente transmissíveis, vai realçar-se o papel da Dermatologia nesta área, tendo em conta o aumento de IST nos últimos anos, segundo João Borges da Costa, consultor em Dermatologia e Venereologia e professor auxiliar convidado de Dermatologia, Medicina Preventiva, Venereologia e Microbiologia.

Num contexto de mudança epidemiológica, novas ferramentas diagnósticas e evolução terapêutica, quais considera serem os principais desafios que as infeções sexualmente transmissíveis colocam hoje ao dermatologista e como imagina que a especialidade deverá adaptar-se nos próximos anos?
A incidência das infeções sexualmente transmissíveis aumentou na Europa no pós-pandemia covid-19 e são também um problema de saúde pública global. Alguns dos agentes destas infeções, como a N. Gonorrhoeae tem resistência crescente aos antibióticos utilizados em primeira linha e o aumento de viagens no período pós pandemia tem também permitido a disseminação de estirpes resistentes e novas doenças venéreas como a infeção por Mpox.
As novas tecnologias, em particular a inteligência artificial, permitem, atualmente, o acesso aos doentes e aos clínicos a informação atualizada sobre as infeções sexualmente transmissíveis e alterações na sua epidemiologia e clínica. Esta é agora de maior qualidade, quando comparada com aquela a que os doentes tinham acesso no período anterior a 2020-2022. Esta informação, no entanto, não substitui a observação e o aconselhamento médico, porque o diagnóstico diferencial pode ser complexo na região anogenital e os dermatovenereologistas são os médicos com maior capacidade e formação no diagnóstico e tratamento das dermatoses da região anogenital.
É importante que a especialidade de Dermatovenereologia mantenha as suas valências formativas na área das infeções sexualmente transmissíveis e que, quer os internos da especialidade, quer os especialistas se atualizem nestas infeções, participando em cursos promovidos pela EADV, SPDV e grupos especializados.
Como os recursos humanos são escassos na área da saúde, é essencial para a relevância da especialidade que os dermatologistas estejam disponíveis para prestar formação nesta área aos colegas de outras especialidades, em particular de Medicina Geral e Familiar.











