“A Dermatologia portuguesa tem hoje atividade de excelência em múltiplas áreas”
Goreti Catorze, secretária-geral da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia, destaca o programa “científico abrangente, atual e representativo” do congresso que reúne dermatologistas de todo o país.

Quais são os principais objetivos do programa científico do 25.º Congresso Nacional de Dermatologia e Venereologia?
O principal objetivo foi construir um programa científico abrangente, atual e representativo da diversidade da Dermatologia portuguesa. Procurámos equilibrar temas clássicos e emergentes, contemplando áreas como as doenças inflamatórias, a oncologia cutânea, as infeções sexualmente transmissíveis, a dermatologia pediátrica, a genética, a cirurgia dermatológica e a inovação terapêutica. Paralelamente, quisemos criar espaço para os jovens dermatologistas, para a apresentação de trabalhos científicos desenvolvidos no âmbito do internato de formação específica em dermatovenereologia e para a partilha de experiências resultantes de estágios internacionais.
Que desafios se enfrenta para se conseguir ter um programa científico que represente a Dermatologia portuguesa?
O maior desafio é refletir a enorme diversidade da nossa especialidade. A Dermatologia portuguesa tem hoje atividade de excelência em múltiplas áreas, distribuída por diferentes instituições e regiões do país. Construir um programa equilibrado implica dar voz a essa pluralidade, integrar diferentes sensibilidades e garantir espaço tanto para especialistas experientes como para as novas gerações. Procuramos igualmente que o programa seja cientificamente rigoroso, mas também útil para a prática clínica diária.
Dos temas abordados em termos de patologia clínica, o que é mais preocupante para o dermatologista?
Existem várias áreas particularmente desafiantes. O aumento da incidência do cancro cutâneo continua a ser uma preocupação central, mas também assistimos a uma crescente complexidade no tratamento das doenças inflamatórias imunomediadas, fruto da rápida evolução terapêutica. Por outro lado, o reaparecimento ou a persistência de algumas infeções sexualmente transmissíveis obriga-nos a manter uma vigilância constante. Mais do que uma única doença, preocupa-nos a necessidade de acompanhar uma medicina em rápida transformação e garantir que os doentes beneficiam dos avanços científicos mais recentes.
“A Dermatologia é uma especialidade cada vez mais interdisciplinar. Muitas doenças cutâneas têm uma base genética ou fazem parte de síndromes complexos que exigem uma abordagem integrada”
Uma das áreas abordadas é a Dermatologia Pediátrica e inclui a genética. Como vê, atualmente, a articulação entre a Dermatologia e outras especialidades, como a Genética ou até com a Pediatria?
A Dermatologia é uma especialidade cada vez mais interdisciplinar. Muitas doenças cutâneas têm uma base genética ou fazem parte de síndromes complexos que exigem uma abordagem integrada. A colaboração com a Genética Médica permite-nos hoje chegar a diagnósticos mais precisos e oferecer melhor aconselhamento aos doentes e às famílias. Da mesma forma, a articulação com a Pediatria é fundamental para o diagnóstico e acompanhamento de muitas dermatoses da infância. Esta colaboração multidisciplinar traduz-se numa medicina mais personalizada e de maior qualidade.
“Espero que este encontro fortaleça os laços da comunidade dermatológica portuguesa, estimule novas ideias e contribua para uma Dermatologia cada vez mais inovadora, humana e cientificamente exigente”
Este ano vão contar com a presença de dois internistas. Porquê a participação da Medicina Interna no Congresso?
A participação de colegas de Medicina Interna resulta da convicção de que a Dermatologia beneficia do diálogo com outras especialidades. Neste caso concreto, os convidados abordarão a literacia financeira e o investimento responsável, um tema pouco habitual em congressos médicos, mas extremamente relevante para os profissionais de saúde. Considerámos importante proporcionar aos participantes ferramentas que contribuam não apenas para o seu desenvolvimento científico, mas também para uma gestão mais informada do seu futuro pessoal e profissional.
Que mensagem gostaria de deixar aos participantes?
Gostaria de convidar todos os participantes a viverem este congresso de forma ativa, aproveitando cada oportunidade de aprendizagem, debate e partilha. Coimbra, cidade do conhecimento e da tradição universitária, oferece o cenário ideal para refletirmos sobre o presente e o futuro da nossa especialidade. Espero que este encontro fortaleça os laços da comunidade dermatológica portuguesa, estimule novas ideias e contribua para uma Dermatologia cada vez mais inovadora, humana e cientificamente exigente.
Maria João Garcia











