12 Nov, 2021

Covid-19. Anticorpos diminuem após a vacina, mas imunidade celular garante proteção

Estudo feito no Centro Hospitalar do Médio Tejo demonstra que a imunidade celular, que protege contra a infeção, se mantém elevada.

Apesar da descida significativa de anticorpos poucos meses após a segunda dose da vacina contra a covid-19, a imunidade celular – a memória do organismo para o vírus que desencadeia uma resposta imediata quando entra em contacto com ele – garante uma elevada proteção contra a infeção por SARS-CoV-2, escreve o Público.

Esta é a conclusão preliminar de um estudo levado a cabo pelo Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT), que mostra que 91% dos funcionários deste Centro mantêm uma boa resposta imunitária ao vírus seis meses depois da vacinação, apesar da descida abrupta de anticorpos.

Após a análise de estudos que mostravam que os anticorpos baixavam bruscamente após a toma da vacina, o diretor do serviço de patologia clínica do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT), Carlos Cortes, admite que temeu um novo surto no hospital em que trabalha, especialmente no período com menos restrições. No entanto, para sua surpresa, só nove dos cerca de 2000 funcionários ficaram infetados pelo SARS-CoV-2 após vacinação.

Perante estes dados, Carlos Cortes concluiu que teria de haver algo mais a proteger o organismo deste vírus para além dos anticorpos e procurou conduzir um estudo neste sentido. Os anticorpos dos trabalhadores do CHMT que nunca tinham sido infetados foram medidos antes da toma da primeira dose.

Através de uma comparação dos valores das medições de anticorpos em vários períodos, foi possível confirmar que “há um disparo nos anticorpos, mas depois vai a descer brutalmente. É uma descida de 92%, um número assustador”, recorda o médico. Em média, a concentração de imunoglobulinas G contra o SARS-CoV-2 passou de 758,98 unidades por mililitro de sangue (um mês depois da vacina) para 62,78 (após seis meses).

No entanto, a percentagem mínima de infetados após vacinação levou os médicos e técnicos do CHMT a investigar a parte celular da imunidade: as células T. Mais de seis meses após a vacinação, 91% dos 1500 funcionários que entraram nesta fase do estudo, que ainda decorre, tinham imunidade celular positiva contra este vírus.

“Se nós olhássemos só para os anticorpos circulantes, então seria um desastre. Teríamos de vacinar novamente toda a população portuguesa, porque chegávamos à conclusão de que quase ninguém estava protegido. Mas a imunidade celular diz-nos outra coisa”, confirma Carlos Cortes.

SO

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