27 Mar, 2025

Comunicar ciência exige diálogo e informação sobre os riscos para que haja confiança

“Como comunicar ciência na era da desinformação” foi a temática abordada pelo bioquímico David Marçal, na conferência inaugural do 42.º Encontro Nacional APMGF. Na sua intervenção deixa algumas dicas para que a população tenha confiança na ciência.

Comunicar ciência exige diálogo e informação sobre os riscos para que haja confiança

Nos últimos tempos tem aumentado a resistência a informações vindas do mundo da ciência, o que tem repercussões na saúde da população. David Marçal, que também é autor de vários livros onde desconstrói  ideias não científicas, como na área da vacinação, deixou algumas dicas às centenas de participantes no evento.

Primeiramente, é preciso dialogar com os não especialistas científicos, já que “há outros saberes válidos”. Além disso é essencial estar-se disponível para falar com jornalistas, para se explicar o processo científico, assumindo-se o risco e a incerteza quando estas existem. Caso contrário, “uma mudança de posição subsequente mina a confiança do público”.

O especialista deu o exemplo do uso das máscaras no tempo da pandemia de covid-19, quando, em apenas 15 dias, a não recomendação de uso de máscara passou a ser obrigatória.

Desta forma, segundo David Marçal, é possível melhorar a confiança da população na ciência e nos cientistas, na medida que a mesma tem sofrido revés ao longo dos anos por causa de desinformação e de notícias com grandes falhas (dois terços dos artigos).

Neste âmbito, o especialista sublinhou que é habitual exagerar-se na prevalência e na gravidade de uma doença, além de se ignorarem os efeitos secundários, outras desvantagens e as alternativas. Falhas que ocorrem também porque a maioria dos jornalistas (44%) se baseiam, quase em exclusivo, em comunicados de imprensa, sem ouvir outros especialistas.

Face a modelos anteriores de comunicação em ciência, David Marçal lembrou que há estratégias que não se revelam consequentes, nomeadamente quando se omitem os riscos e quando se dá especial enfoque ao cientista – visto como único conhecedor da ciência, sem ter em conta outros saberes. Essa situação tem contribuído, inclusive, por uma “corrida” entre cientistas.

O 42.º Encontro Nacional APMGF começou, ontem, com workshops, e decorre até sábado, em Troia.

 Maria João Garcia

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